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Gestos de Sá Pinto

Gestos de Sá Pinto

No primeiro jogo em casa na era Sá Pinto, o Sporting fez o mais importante – somou três pontos. Mas olhemos de forma crítica para o que de facto se passou. Se esta equipa fosse uma só pessoa, no domingo teria morrido de ataque cardíaco. Os jogadores estão hipermotivados para o esforço físico, mas ainda se encontram totalmente descrentes nas suas capacidades técnicas e táticas.

Nestes primeiros momentos de Sá Pinto, a equipa do Sporting continua uma confusão quase anárquica, com grandes espaços vazios no centro do meio-campo; uma defesa incapaz de articular o fora-de-jogo; um lateral, João Pereira, que sobe, sobe e sobe por um flanco onde o ala (especialmente Carrillo) não cultiva o jogo interior; um ponta-de-lança à beira da epilepsia competitiva – vai a todas as bolas mas não acerta coordenadamente em nenhuma.

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Sá Pinto tinha toda a razão quando dizia na antevisão do jogo que é preciso saber quando correr. Mas essa mensagem ainda não passou, o que é natural em tão poucos dias de trabalho.

Porém, se os jogadores têm de saber quando e para onde correr, o líder técnico tem de escolher quando e como gesticular. A linguagem gestual é a maior arma de qualquer treinador contemporâneo. Mas se essa linguagem for mantida de forma constante e com grande intensidade, torna-se apenas num ruído enervante e ineficaz.

Neste Sporting, que ainda luta na Liga Europa e é favorito na Taça de Portugal, Sá Pinto terá de travar o coração dos jogadores, de devolver-lhes cérebro. Desafio que tem como base a confiança. Para esse grande passo servem os treinos e as palestras.

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Nos jogos, cada gesto do líder tem de valer por várias frases gritadas para dentro do campo. E nunca para claques ou dirigentes.

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