Governo de Vieira à beira de cair

Governo de Vieira à beira de cair

E, de repente, a exactamente um mês das eleições para a presidência do Benfica, com o chumbo do relatório e contas de 2011/12, a liderança de Luís Filipe Vieira é colocada em causa de uma forma brutal. A vitória do Benfica em Paços de Ferreira alivia um pouco as tensões registadas na assembleia geral de quinta-feira, mas não apaga os sinais de contestação.

Vivem-se tempos difíceis no futebol português, agravados com o corte de financiamento bancário. De repente, o futebol e os clubes portugueses deram-se conta de que não podem continuar a viver artificialmente, com as despesas a superar o volume das receitas.

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Luís Filipe Vieira, durante anos, viveu do impacto negativo da presidência de Vale e Azevedo. Foram anos a fio a viver da imagem de recuperação do caos. Ninguém tira esse mérito a Vieira, mas uma vez conseguida a recuperação era necessário apresentar resultados. Desportivos e financeiros.

Vieira montou uma extraordinária máquina de propaganda. Não apenas internamente. Deste modo, tem conseguido não só dar eco às suas mensagens mas também evitado grandes análises à situação financeira do clube. À custa dessa propaganda e da (justa) diabolização da figura de Vale e Azevedo. Mas tudo tem um tempo. E chegou a hora de muitos dizerem: já chega!

Dois títulos de campeão nacional em dez épocas é muito pouco para um clube como o Benfica. Todos os anos houve uma justificação: ou os árbitros ou a convicção de que o projecto estava na iminência de se completar.

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Podem-se achar razões mais mesquinhas – como a má relação entre Vieira e a claque dos No Name Boys – para justificar o que se passou na última AG do Benfica. Podem encontrar-se até um conjunto de atenuantes para justificar a “menor importância” do que se passou na reunião magna de quinta-feira. A verdade é esta: as contas foram chumbadas. Precisamente a um mês do acto eleitoral e com a equipa de futebol a apresentar claros défices competitivos.

Vieira tem de tirar as devidas ilações do que se passou na assembleia. Saiu fragilizado. Não tenhamos dúvidas: um desaire, ontem, em Paços de Ferreira e teríamos certamente a construção rápida de uma alternativa ao “vieirismo”. Ainda assim, a questão persiste: qual vai ser o próximo passo do presidente do Benfica? Apenas esperar ou antecipar-se com uma demissão da qual possa sair reforçado? Uma coisa é certa: o actual “governo de Vieira” necessita de profunda remodelação. O “papagaísmo” à sua volta pode ser ruidoso mas já não convence ninguém.

Ocrédito de Vieira pode ser grande entre parceiros empresariais mas é infinitamente mais pequeno entre os sócios e adeptos do Benfica.

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