_
A deserção de Ricardo Carvalho antes do jogo em Chipre é um render da guarda geracional, que bem poderia ter acontecido com outra dignidade. Que Ricardo Carvalho gere mal os momentos em que é preterido no onze inicial já se sabia desde os tempos do Chelsea de Mourinho. Então, durante uma baixa de forma do excelente central, Mourinho optou por lhe tirar a titularidade. E logo levou como paga a ingratidão de várias frases inflamadas, que, à época, levaram Mourinho declarar o número de neurónios de Ricardo Carvalho como resumidos a uma unidade.
Voltemos ao passado recente: o que teria ficado bem ao ainda ótimo central seria aguentar a dureza do banco e, após o jogo, anunciar o abandono da Seleção. Nessa altura, as críticas a Paulo Bento, mesmo que injustas, poderiam ser consideradas legítimas. A forma com Carvalho abandonou o estágio é inaceitável.
Qualquer perdão ao jogador – eventualmente solicitado por Mourinho a Paulo Bento –, que leve a FPF a não agir e reportar o sucedido à UEFA, será um péssimo precedente, que aproxima a imagem de um estágio da Seleção Nacional do ambiente distendido de um grupo de excursionistas foliões. Se Ricardo Carvalho não for castigado por este ato infamante para a Seleção Nacional, a fasquia da indisciplina aceitável desce para níveis impraticáveis. Nem Paulo Bento nem os dirigentes da FPF deverão cair na ratoeira dos afetos, da boa memória, do nacional porreirismo.
Ricardo Carvalho teve uma atitude inaceitável. Já se deveria ter desculpado publicamente e sem mais. Não pode deixar de responder em processo disciplinar por tão egocêntrico ato.
Ou na gestão de enormes umbigos, que é escolher onze jogadores para representar Portugal, os que ficam de fora sabem agora que passou a valer tudo?