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Jefferson caminha para o topo

Jefferson caminha para o topo

1 - Chamaram-lhe o Roberto Carlos dos pobres, com o que isso tinha de bom (associação a um dos melhores laterais da história do futebol) e de mau (estilo irreverente, atendendo à responsabilidade da função). Para Jefferson, a vida na esquerda recuada do palco era insonsa para tantas ambições como protagonista, razão pela qual aceitou todos os riscos para se cruzar com os holofotes da fama. Durante anos, e apesar das sucessivas indicações para diminuir os ímpetos mais temerários, impôs-se pelas expedições atacantes, sustentadas na boa condução a alta velocidade, no talento para decidir no espaço ofensivo e na pontaria do tiro temível a curta, média e longa distância. Ao serviço do Estoril, parte desse atrevimento valia a pena, porque as soluções que acrescentava à frente eram tão valiosas que a própria equipa se automatizou para compensar omissões e demais falhas cometidas atrás.

2 - Se houvesse polícias de trânsito no corredor esquerdo, Jefferson não ganhava para pagar as multas por toda a espécie de infrações que foi cometendo pelo tempo fora. A principal das quais o excesso de velocidade mas também a violação de traços contínuos, estacionamento em zonas proibidas e circulação em contramão por ruas de sentido único. Se muitas vezes levou soluções ao outro lado do campo, é preciso reconhecer que também criou muitos problemas na zona sagrada onde tinha a obrigação de resolvê-los. Hoje essas aventuras constantes e quase todas explosivas, embora nem todas inteligentes e eficazes, são menos mas muito melhores.

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3 - Colocado perante novas e maiores exigências táticas, Jefferson não teve alternativa: adaptou-se à realidade e moderou o entusiasmo. Agiu de acordo com a noção de que avançar sempre anula o fator surpresa; que ir e só voltar às vezes é uma imprudência, mais ainda numa equipa como o Sporting; que ficar pode ser a melhor opção, de preferência apetrechado com todos os elementos para fortalecer a proteção do castelo; que integrar ações combinadas para manter a harmonia coletiva, manter as distâncias para os adversários diretos e encontrar o tempo certo de entrada a cada lance são prioridade para qualquer elemento do sector recuado. Prova da requalificação à forma como está em campo e entende o jogo, é ele o único habitual titular leonino que ainda não fez qualquer golo em 2013/14.

4 - Jefferson entendeu, neste troço verde e branco da carreira, que a responsabilidade inerente a uma grande equipa não se coaduna com a atitude expansionista que orientou a caminhada até aqui. É hoje um lateral-esquerdo menos espetacular mas mais completo e fiável, que calibrou todos os movimentos em função do equilíbrio da equipa: ajustou as intenções arrojadas à imperiosa necessidade de agir como defesa; interpretou por fim o papel que lhe cabe no exército que representa e ainda acrescentou dados ao disco rígido para fazê-lo cada vez melhor. No fim de contas, revelou a enorme virtude de ouvir os conselhos de Leonardo Jardim e aceitar que lhe faltavam peças para completar o puzzle como defesa lateral de uma potência. Já é um jogador de topo. Aos 25 anos, é legítimo esperar que possa vir a ser ainda melhor.

A dupla lição de Mourinho
O Chelsea venceu em Manchester, apanhou o City e mantém-se a dois pontos do líder Arsenal

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José Mourinho assinou, na conferência de imprensa antes do jogo, uma atuação ao nível do velho Special One que deixou marcas em Inglaterra. Desfez a imagem consensual que tem procurado no regresso a Stamford Bridge e recuperou a ironia e a contundência das palavras como armas de ataque. Pellegrini não respondeu e fez bem – é peixe fora de água nesse registo. Para completar a lição, o Chelsea foi ao Etihad vencer um daqueles duelos claramente decididos pela mão do treinador, pelo conhecimento do adversário e pela estratégia escolhida.

Hazard vai pisar terreno sagrado

Num jogo de altíssima tensão, Matic foi o melhor jogador em campo jogando a 8 e não a 6

Não era preciso ver o sérvio impor-se numa grande batalha internacional para reconhecermos o talento que mostrou no Benfica e faz dele um dos melhores médios europeus da atualidade. Mas o jogo do Etihad teve ainda o mérito de confirmar Hazard como um dos mais incríveis jogadores mundiais do momento. Aos 23 anos, ele é o expoente máximo da geração dourada do futebol belga, um génio absoluto que, estando em boas mãos, tem tudo quanto precisa para marcar o futebol mundial. CR7 e Messi que se preparem: está a nascer uma estrela para discutir o patamar sagrado dos deuses da bola.

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Alan assinou uma obra-prima

É eterno o desejo mórbido no futebol de valorizar descuidos e erros onde há beleza e magia

Alan pegou na bola à saída do meio campo, olhou para a baliza e rematou a 40 metros, levando a bola ao ângulo superior direito de Matt Jones. O momento foi inesquecível, pela surpresa, pela visão extraordinária e pela execução perfeita do capitão bracarense. Em vez de aplaudirmos todos a obra-prima, alguns levantaram questão com crítica implícita – por que estava o guarda-redes do Belenenses tão adiantado? Jones antecipava o que um atacante faria em 95% dos casos naquelas circunstâncias, isto é, preparava-se para intervir se a bola fosse metida nas costas da sua defesa.

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