Jesualdo audaz

Jesualdo audaz

Já muitos compararam a situação do Sporting com a do país. Se seguirmos essa metáfora interessante, logo encontramos grandes contradições.

O papel da troika no Sporting cabe essencialmente a uma só instituição bancária, que terá uma palavra a dizer sobre quem pode ser presidente, por estar esse banco (BES) no desconfortável papel de principal credor e ter de assumir o pagamento dos pesados compromissos mensais. Até aqui mantém-se alguma similitude com a situação de Portugal, que parece não poder mudar de ministro das Finanças – por mais que ele erre nos cálculos – por crípticas razões de credibilidade externa. Ora, que tipo de credibilidade enquanto líder de Alvalade ainda pode manter Godinho Lopes?

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Sim, Portugal e Sporting estão longe da saúde financeira, mas as semelhanças acabam aqui.

Vítor Gaspar é um insuperável sacador de receitas – à custa do cidadão médio –; e um apenas razoável estrangulador de despesa. Eis que, pelo contrário, Godinho Lopes mostra-se um poderoso estrangulador de receitas – Alvalade está a ficar de bancadas vazias e os jogadores do plantel já desvalorizaram milhões –; e um insuperável produtor de despesas. Ontem mais um treinador foi despedido, numa longa lista de danos colaterais à manutenção desta incompetência presidencial que não pára de somar dívida. Como se previra neste espaço por altura da saída de Sá Pinto, o truque do passa-culpas já não pega. Os sportinguistas viram-se agora para a tribuna e pedem contas pelo flagelo.

Pode Jesualdo Ferreira ter alguma espécie de êxito nesta conjuntura? Não parece muito possível. A não ser que Godinho Lopes se afaste do futebol. E possa Jesualdo castigar com a saída de Alvalade um punhado de jogadores para depois recorrer a empréstimos seguros.

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Mas o tempo corre contra este presidente de equívoco e com ele galopa sobre esta miragem de Jesualdo. Aceitar treinar o Sporting nesta conjuntura vai para lá de toda a audácia.

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