João Mário no rasto da glória

João Mário no rasto da glória

1 Há jogadores que, para serem analisados em toda a extensão do seu talento e da influência exercida nas equipas que representam, têm de ser observados ao vivo e medidos não só pelo que as câmaras televisivas captam. A avaliação de um futebolista como João Mário, por exemplo, tem de contemplar o comportamento longe da bola e a autoridade que exerce em momentos menos significativos para a história do jogo; deve atender à dimensão física, à inteligência na ocupação dos espaços e ao sentido de segurança e equilíbrio que revela em qualquer zona e circunstância. Nele coabitam sabedoria e entendimento global do jogo, que lhe permitem fintar as armadilhas espalhadas pelo campo fora; bem como o instinto para antecipar o que vem a seguir e a técnica para executar na perfeição tudo aquilo que concebeu.

2 O médio leonino cumpriu todas as etapas previstas no crescimento como jogador. Não acelerou nem travou; não deslumbrou antes de tempo, nunca desiludiu nem queimou etapas; cresceu das camadas jovens até à equipa B e evoluiu do V. Setúbal para o esquadrão principal do Sporting. João Mário está a consolidar elementos fundamentais do reportório, conquista que fica a dever-se à confiança e ao nível competitivo que atingiu: sabe guardar a bola e conduzi-la com incrível perícia; limpa adversários da frente com tremenda facilidade e associa-se à manobra coletiva; tem talento individual para resolver alguns problemas mas pertence à estirpe daqueles que não são autossuficientes - para atingir o máximo precisa de uma equipa que lhe dê linhas de passe e o ajude a descobrir todas as estradas que conduzem ao objetivo final.

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3 Acentuada a relação com o golo (já marcou 7 na presente época), João Mário está a consolidar-se como centro-campista de dimensão superior, dando seguimento a um percurso sustentado em 79 jogos nas Seleções Nacionais, iniciado nos sub-15. Mesmo admitindo que o processo de construção ainda não está definitivamente concluído - tem 22 anos e só agora atingiu uma grande potência -, já lhe falta pouco para atingir a grandeza que o talento sugere. Toma sempre as melhores decisões; define cada vez melhor quando deve levar a bola ou passá-la; jogar curto ou longo; para trás, para o lado ou em profundidade; quando o jogo resvala para a dimensão física, é generoso na contribuição e corajoso na ação - sem perder de vista a missão primordial que é participar no bordado da aproximação à baliza.

4 João Mário é um interlocutor privilegiado dos artistas. Não é genial ao ponto de resolver batalhas com um toque de magia, desses que a televisão perpetua com exaustivas repetições, mas também não se queixa da injustiça que é reduzir hora e meia a um segundo de inspiração. Sim, o futebol promove uma visão mentirosa da realidade que não o beneficia - mas ele aparece muitas vezes: no passe, na tabela, no cruzamento, no desarme, no remate, no golo... O seu jogo requintado e de vistas largas continua a ganhar intensidade, influência, argumentos táticos, expressão e tempo (dura cada vez mais). Se mantiver a perfeição que caracteriza a sua evolução; se seguir o rasto de glória que o tem orientado, o passo seguinte será conquistar a Seleção e piscar o olho a um grande europeu. Todo um desafio que reclama a eterna disponibilidade para aprender, requer os conselhos de Marco Silva e o auxílio do Sporting.

João Moutinho como referência

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Já não é inteligente criticá-lo só porque não decide sozinho e não sente prazer pelo adorno

João Moutinho não tem magia instantânea. Para ser avaliado com justiça precisa de ser visto durante meses, para mostrar que joga, sempre a alto nível e rotação, durante épocas inteiras. Agora que o Monaco de Leonardo Jardim se meteu na luta pelo título, os argumentos para tamanha proeza coincidem numa explicação: afinal, João é o centro nevrálgico e denominador comum da equipa que tem levado às costas. Prova de que a compreensão lenta está espalhada por todos os cantos da Europa.

Herói do Dragão em dificuldades

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Há avançados para quem o golo é a única tábua de salvação em hora e meia de inércia

Lima é um atacante que, por dar tanto à equipa, não depende só da pontaria para evitar juízos menos condescendentes. O brasileiro dá ao golo o valor sequencial do esforço com que contribui para o bem-estar da equipa. Herói da vitória no Dragão, deve entender que o crédito tem limites. Se ficar em branco é aceitável, falhar penálti e uma cabeçada de baliza aberta em duas derrotas pela margem mínima (P. Ferreira e Rio Ave) pode afetar-lhe a confiança e o bem-estar. Mesmo sabendo-se que este um dado transitório porque, nas contas finais da época, os goleadores raramente ficam a perder.

CR7 pôs tudo no devido lugar

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O clássico de Camp Nou serviu para acentuar o favoritismo do Barça na Liga. Mas não só

CR7 não confirmou o mau momento que lhe era atribuído, em contraciclo com o regresso de Messi ao esplendor de génio marcante na história do futebol. Em noite de escrutínio impiedoso, CR7 fez o habitual: jogou acima da equipa. Marcou um golo, rematou à barra, teve tiro sublime de fora que obrigou Bravo à defesa do jogo e ainda fez assistência para um golo de Bale, anulado por fora-de-jogo milimétrico. O Barcelona venceu por 2-1 mas porque, apesar de tudo, não tem Carvajal e Sergio Ramos, e porque Neymar e Suárez foram mais fiáveis do que Bale e Benzema.

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