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A lista de convocados de Paulo Bento é mais um espelho que reflete a personalidade deste selecionador nacional: seguro, confiável, previsível. Não há surpresas. Miguel Lopes é mais completo do que Nélson, e Custódio cumpre a função de trinco sem grandes rasgos, sem passes brilhantes, mas com um bom jogo de cabeça em ambas as áreas e longe de falhas graves. Exceção feita ao instável mas genial Quaresma, todos os outros vinte nomes da lista eram óbvios. Está escolhido o grupo que vai representar Portugal. Com estes jogadores pode formar-se uma equipa forte, ganhadora, candidata ao título europeu. Ou uma equipa banal, que entrará de férias logo ao terceiro jogo. Um nome deverá ditar o destino a escrever – Ronaldo.
Será a condição física do nosso maior craque e a sua vontade de vencer que irão ditar quão longo será o caminho neste Europeu. Isso e a forma como Portugal conseguirá disfarçar o seu tão tenro calcanhar de Aquiles: a lateral-direita. Aí, o titular continuará a ser João Pereira. O jogador do Sporting evoluiu um pouco no plano do controlo nervoso mas não o suficiente ainda para poder integrar equipas que queiram vencer ao mais alto nível. João Pereira ataca bem mas defende muito mal. Fecha pessimamente no centro e coloca-se de forma deficiente em lances que se resolvem com simples cobertura passiva – como se o cheiro da bola lhe toldasse o raciocínio. Seria muito bom que João Pereira, um atleta valoroso, pudesse estudar alguns vídeos com os erros infantis que comete nos movimentos defensivos.
Sem uma correção urgente desta peça na forma ingénua como aborda lances simples, as hipóteses de sucesso português ficam muito remotas. Mesmo com Ronaldo de regresso à grande forma que perdeu em abril.