Líderes

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É muito frequente ouvirmos e mesmo dizermos que as lideranças no futebol são demasiado emotivas; que há decisões com demasiada intuição e pouca racionalidade; que há demasiados egos envolvidos e jogadas de bastidores. Mas depois do que se viu durante os três últimos dias em Portugal, os presidentes dos clubes até podem liderar governos.

Muitas vezes temos dito que os clubes de futebol estão tão endividados e nas mãos dos credores como o país, mas que ao menos os seus resultados são melhores: a imagem externa dos nossos jogadores e equipas é melhor que a dos gestores, dos políticos ou das empresas – e agora também que a dos seus governantes.

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A crise política dos últimos dias não foi apenas um absurdo, foi um exercício de autodestruição intolerável num país que tem dado tudo o que tem e o que não tem. As responsabilidades repartem-se por vários líderes, incluindo o primeiro-ministro que permitiu a desagregação na sua equipa e o Presidente da República que não a evitou, mas no final fica claro que foi Paulo Portas quem executou um ato de traição. Não apenas a Pedro Passos Coelho: ao povo. É preciso recuperar o que foi perdido esta semana. Os juros subiram. A credibilidade perdeu-se. Esperemos que não irremediavelmente.

Foi muito curioso ver Luís Filipe Vieira como um dos que apelaram esta semana à calma no Governo português, recomendando clarificação política. Qualquer líder, de uma empresa, de um banco ou de um clube, tem noção do grau de risco e de sensibilidade que vivemos. O Mundo não está para crianças. Em lado nenhum.

Governar um país não é um jogo de futebol e mudar um ministro não é uma mera chicotada psicológica. Aprendamos com os erros ridículos mas penosos destes dias. E depois pronto, voltemos a ler e a escrever sobre desporto a sério. Até para a semana.

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