Com o início do campeonato já em contagem decrescente verifica-se que, esta época, há mesmo três galos para um só poleiro. O discurso é de vitória como sempre nas Antas e na Luz, mas é também mais assertivo pelas bandas de Alvalade. Claro que Godinho Lopes fala em “ciclo de vitórias” capaz de devolver aos sportinguistas a sua autoestima. Mas a tradução não pode fugir da exigência de lutar pelo título até ao final. E, de preferência, vencer.
Não deve ser assustador um mau resultado frente ao Valencia. Se arrefeceu o ânimo dos adeptos, a pesada derrota foi também clarificadora. Com os erros da primeira parte percebeu-se que Onyewo é um jogador grande mas não é um grande jogador, e também que Carriço talvez esteja a passar ao lado de uma mais frutuosa carreira como trinco. Estes baldes de água fria são por vezes a pedra de toque para grandes épocas. É preciso no Sporting manter a confiança em Domingos e o apoio à equipa.
Também Jesus terá de reencontrar uma série de mecanismo na manobra ofensiva. O melhor prenúncio de uma boa época é o potencial instalado na defesa e na baliza da Luz. Na frente, há mais soluções nos flancos e os mesmos decisores na área.
Até agora, foi o FC Porto quem aparentemente menos mudou. Se nos lembrarmos da excelência demonstrada na época passada, como pode então o campeonato ser mais aberto este ano? Vai ser! O FC Porto é um nobre exemplo pela forma como defende os seus principais ativos – parece ser até a única instituição em Portugal que não os coloca em saldo. Mas Pinto da Costa perdeu o técnico principal. Manteve o grupo de trabalho e promoveu o adjunto. Ora, se Villas-Boas provou ser muito mais do que um avatar de Mourinho, produzir em série líderes técnicos de excelência é tarefa que nem Futre conseguiria cumprir, por mais aviões que sonhasse carregados de chineses.