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1 Raros são os distribuidores que elevam a mentira à dimensão coletiva – e se falhar a cumplicidade entre o líder do processo e quem ajuda a executá-lo, nada feito. Havendo sempre a possibilidade de resolver questões recorrendo à inspiração que conduz a obras solitárias, esmagadoras por beleza mas nem sempre eficazes, qualquer formação de topo precisa de estar apetrechada com soluções para alimentar o compromisso coletivo, mesmo que o processo se inicie num homem só. Ao fim de cinco meses no Dragão, Óliver já não precisa de reclamar atenção para que os componentes do exército azul e branco o detetem: está sempre na mira como recetor de um passe, porque já todos perceberam que, nos seus pés, a bola está num cofre-forte, à espera de seguir o caminho correto para chegar onde deve.
2 Ser a extensão do treinador em campo, como líder do processo de organização global, é função interdita a menores; dar o cérebro a ideias que, sendo alheias, passam a ser suas também, só está ao alcance de homens feitos; prova de que faz explodir todas as teorias relativas ao papel que desempenha na equipa, é o denominador comum da esmagadora maioria das ações do processo criativo. Nestes jogadores cada vez mais raros, que multiplicam o valor da equipa, está implícita uma liderança técnica e um ascendente moral nem sempre fácil de conseguir. Óliver é um extraordinário jogador que, para se expressar na plenitude, precisa que confiem nele: se grita, é fundamental que o ouçam; se indica um rumo, é preciso que o sigam; se dá uma sugestão é imperioso que a interpretem como ordem.
3 Sendo ainda um miúdo, é notável a influência que exerce numa equipa que inclui jogadores de topo mundial. Só um futebolista com todos os requisitos técnicos, emocionais, táticos e humanos, em suma, só um fenómeno reconhecido consensualmente, pode ser tão persuasivo junto dos parceiros para assumir o papel de comandante em chefe no campo de batalha. Óliver transporta os valores adolescentes de ilusão e sonho; os olhos desorbitados pelo deslumbramento do sucesso que procura (e normalmente encontra) em cada toque na bola; a paixão de quem ambiciona triunfar na vida e se julga invencível. Impressionante é agregar a esses argumentos correspondentes à idade que tem os elementos maduros de saber, experiência, responsabilidade, visão, tranquilidade e ponderação.
4 Aos 20 anos, só um prodígio pode ser maestro de uma grande orquestra; só um génio reconhecido e aceite pelos companheiros pode pegar numa potência pela mão e conduzi-la ao sabor do seu talento e à cadência do seu ritmo. No FC Porto, num palco em remodelação, ocupou um lugar sem dono (apesar de Evandro, que vinha de duas temporadas sendo o melhor 10 da Liga), razão pela qual lhe foi mais fácil convencer quem o rodeia das vantagens do papel que assumiu; do acerto das opções estratégicas e das soluções que encontra para cada momento do jogo. Óliver pode até dizer que não está obcecado com a Seleção espanhola; mas se mantiver os pressupostos de aprendizagem constante e enriquecimento dos dados acumulados no disco rígido, tem o destino traçado: será em breve um fenómeno à escala mundial.
CR7 ainda não mostrou tudo
Zurique assistiu à coroação definitiva de um dos melhores jogadores da história do futebol
A terceira “Bola de Ouro” de Cristiano Ronaldo constitui um dos momentos mais extraordinários de sempre do desporto português. Pela natureza coletiva do futebol e também pela expressão mundial da modalidade, é como se tivesse ido a Hollywood arrecadar o Oscar para melhor ator pela terceira vez. Não estamos habituados a tanta grandeza. Agora que está a poucos dias de completar 30 anos, continua a suscitar as sensações de sempre: já lhe vimos o impossível mas ainda não lhe vimos tudo.
O tiro perfeito de Junya Tanaka
O local da infração aconselhava um pé esquerdo. Mas só isso dava vantagem ao japonês
O momento era solene, por ser o último de um jogo que terminaria imediatamente a seguir. Tanaka e Nani estavam lado-a-lado, suscitando a dúvida de quem iria apontar o livre: um desacreditado avançado que, até aqui, tinha servido para quase nada, ou o todo-poderoso craque da equipa, decisivo em tantas ocasiões. Para surpresa de quase todos, foi o japonês a candidatar-se a herói da noite. O tiro foi deslumbrante, perfeito na força e na colocação, sinal indiscutível de que estamos perante um especialista. Para Tanaka nada será como dantes. O futebol é um desporto maravilhoso.
Leis inventadas? É um escândalo!
Está a ultrapassar o limite do razoável o modo como são decididos os lances de bola na mão
É degradante ver quem deve zelar pela aplicação da lei desrespeitá-la por sistema; não é possível que os árbitros continuem a decidir apenas para salvar a pele, com total indiferença em relação ao conteúdo das regras a que juraram fidelidade. De uma vez por todas, a bola pode tocar no braço e não ser falta: a lei obriga o árbitro a interpretar se a ação foi ou não deliberada. E o que a maior parte dos juízes (quase todos os portugueses mas não só) está a fazer, perante a indiferença de quem os comanda, é orientar-se por outra lei que eles inventaram. É um escândalo.