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Num tempo em que o desporto se assume como um pilar essencial para a qualidade de vida das populações, importa assegurar a sua sustentabilidade a longo prazo,?tanto nos resultados como no impacto social.?
O ecossistema desportivo português é plural e diverso. Não se resume ao futebol. Modalidades como o surf têm vindo a conquistar o seu espaço e a projetar o nome de Portugal no panorama internacional, com resultados competitivos, crescimento de praticantes e impacto económico relevante em várias regiões costeiras do país, como é o caso da Yolanda Hopkins que se qualificou para o?Championship?Tour da WSL, ou o António Dantas que venceu dois europeus de surf em 2025: o da?European?Surfing?Federation?e o da WSL, que o qualificou para o circuito mundial.?
Mas para garantir o futuro da modalidade, temos de começar pela base.?A sustentabilidade de qualquer desporto começa na infância. É através do primeiro contacto com o mar, do desenvolvimento da literacia oceânica e motora e da criação de hábitos de prática desportiva regular que se constrói um caminho consistente, quer para uma população mais saudável, quer para a emergência de talentos de alto rendimento.?
Foi também esta a visão partilhada pelo atual Secretário de Estado do Desporto, Dr. Pedro Dias, que reforçou a urgência de garantir o acesso generalizado das crianças a programas de literacia motora. No caso do surf, esta literacia tem uma componente adicional: o mar. Ensinar as crianças a conhecerem, respeitarem e interagirem com o oceano é, simultaneamente, um instrumento de educação ambiental e de promoção da saúde física e mental.?
A Federação Portuguesa de Surf está profundamente empenhada nesta missão. Projetos como os?Heróis do Mar,?que vem permitir que cada vez mais crianças tenham o seu primeiro contacto com o mar, são exemplo de como a educação, o desporto e a inclusão social se podem cruzar em iniciativas com impacto real.??
Mas nenhum projeto tem sucesso sozinho. A sustentabilidade do surf,?e do desporto em geral,?exige uma articulação eficaz entre federações, clubes, escolas, municípios, as instituições desportivas nacionais e o?Governo. Só com um sistema articulado e com financiamento adequado será possível ampliar o acesso, melhorar a formação e garantir a preparação de atletas para competir ao mais alto nível.?
Ao promovermos o acesso precoce e estruturado à prática do surf, não estamos apenas a preparar os campeões do futuro. Estamos a investir numa população mais saudável, mais ativa e mais próxima do seu território e do seu património natural.?Com mais de?900 km de costa em Portugal continental, mais de 650 km nos Açores e mais de 250 km na Madeira, o nosso território oferece condições únicas para que o surf se afirme como um desporto verdadeiramente acessível, inclusivo e sustentável. Para concretizarmos esta visão, precisamos de todos.?