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Depois de ter falhado alguns treinos antes da recepção ao Estrela da Amadora, para se deslocar aos Estados Unidos de modo a participar nas comemorações do 38.º aniversário do Sport Newark e Benfica, Mantorras volta, esta semana, a estar ausente dos trabalhos da equipa de futebol encarnada para... ir à Guiné-Bissau distribuir prendas!
Não tenho qualquer dúvida em admitir que o internacional angolano é um dos futebolistas mais acarinhados pelos adeptos benfiquistas. Em Portugal e no estrangeiro. Assim, parece-me perfeitamente normal que, nas muitas iniciativas que o clube organiza pelos vários cantos do planeta, Mantorras seja sempre um nome a ter em conta. Mais ainda quando essas acções decorrem no continente africano.
Mas, sejamos realistas, se o avançado ainda é oficialmente parte integrante do plantel, não fica bem que, enquanto o grupo vai dividindo atenções entre os compromissos internos e externos, Mantorras ande de um lado para o outro a fazer papel de embaixador.
Todos sabemos, há muito, que a capacidade futebolística do africano ficou seriamente abalada com o grave problema sofrido no joelho. Infelizmente para ele, e para todos os que apreciavam o seu futebol puro - repleto de energia, fantasia e entusiasmo -, Mantorras nunca mais poderá ser o mesmo dos primeiros meses na Luz. Mas, como já se viu depois (nomeadamente na campanha que culminou com a conquista do último título do Benfica), creio que ainda pode ajudar, embora agora, com Nuno Gomes, Cardozo, Suazo e Makukula... seja muito complicado garantir alguns minutos.
Mas, mesmo sendo difícil ganhar o seu espaço, Mantorras deve ser tratado com o respeito que merece. Por outras palavras: deve treinar para poder justificar uma posição. Caso o angolano já não apresente condições mínimas para desempenhar a sua função no relvado, então alguém com responsabilidade devia, de uma vez por todas, assumir que, por incapacidade, a carreira de futebolista tem de terminar.
E tendo em conta o que representa para o clube, bem como o que se esforçou em prol do mesmo, creio que Luís Filipe Vieira deveria assegurar, de forma vitalícia, um cargo para Mantorras. E o posto de embaixador assenta-lhe bem. Só não funciona se, ao mesmo tempo, também for oficialmente futebolista...
PS - Mais uma demonstração, agora na Turquia, que a crise de resultados e exibições do FC Porto já faz parte do passado. Com serenidade e classe, os dragões silenciaram Istambul e reverteram um quadro que chegou a parecer bem negro. Quem imaginaria que portistas e sportinguistas, bem antes da última jornada (e consequentemente sem recurso à calculadora), já teriam assegurado o apuramento para os "oitavos" da "Champions"? Muito bem!