Não havia necessidade

Não havia necessidade

Como costumava dizer Diácono Remédios, uma personagem humorística que Herman José tornou famosa, "não havia necessidade". O clima de guerra fria que se vive em Alvalade, com um aceso diferendo entre presidente e treinador, visível e percetível no comportamento e distanciamento de ambos, surpreende pelo "timing" e por nada fazer prever que isto viesse a acontecer.

Marco Silva assinou um contrato de quatro anos com o Sporting, ideia que terá partido de Bruno de Carvalho e que é demonstrativa da enorme confiança que o presidente leonino depositava no jovem técnico na altura da sua contratação. Paradoxalmente, nesta altura, e segundo dizem as notícias, parecem ser estes quatro anos de contrato que seguram o treinador, em função da elevada indemnização que custaria a sua saída.

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Perceber como, em poucos meses, Bruno de Carvalho terá perdido toda a confiança no técnico é que se torna um enigma. Até porque o trabalho de Marco Silva tem sido positivo e apreciado pelos próprios adeptos do Sporting, que rapidamente manifestaram publicamente a sua indignação assim que se começou a perceber que o treinador poderia estar de saída.
Em 18 jogos oficiais disputados nas competições nacionais, o Sporting apenas perdeu um (com o V. Guimarães). Na Europa, a equipa esteve em bom plano e só por mera injustiça não atingiu os oitavos de final da Champions, garantindo um lugar na Liga Europa, competição na qual a equipa leonina tem possibilidades de ir longe.

Na Taça de Portugal, e depois de uma vitória histórica por 3-1 no Dragão, onde fez um excelente jogo, o Sporting é nesta altura o principal favorito à conquista da prova. E o arranque vitorioso na Taça da Liga mostra que a equipa está a encarar seriamente as quatro frentes em que ainda está envolvida (sendo aliás a única equipa portuguesa que se encontra nesta condição).

Com 10 pontos de atraso para o Benfica e quatro para o FC Porto na Liga, o Sporting enfrenta um cenário mais difícil. Tem tantas derrotas como os rivais (uma), mas mais empates, que são a principal causa para o distanciamento, sendo que o maior orçamento e quantidade de soluções nas equipas de águias e dragões também ajudam a fazer a diferença. Contudo, nos confrontos diretos com Benfica e FC Porto, o Sporting não perdeu. E conseguiu mesmo conquistar pontos e marcar na Luz, algo que não acontecia há mais de sete anos.

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A isto junte-se o facto de os leões, na maioria dos jogos disputados, terem praticado um bom futebol que mereceu vários elogios. Perante tudo isto, torna-se muito difícil de compreender os comunicados do presidente a criticar jogadores pela falta de empenho e o treinador pela gestão que supostamente está a fazer do plantel.

Numa época 2013/14 atípica, em que o FC Porto esteve muito abaixo das suas capacidades, um Sporting de orçamento limitado e sem jogos europeus, conseguiu atingir o 2.º lugar e até um dado momento bateu-se mesmo pela conquista do título de campeão. Possivelmente iludido com o sucesso do ano anterior, Bruno de Carvalho acreditou ser possível fazer ainda melhor este ano. É legítimo, mas discutível.

Usar o técnico como bode expiatório é uma tremenda injustiça. Com os ovos de que dispõe, Marco Silva está a fazer ótimas omeletes e as perspetivas de sucesso no final da temporada até são bastante animadoras. Mas para isso acontecer, a estrutura leonina terá de encontrar uma solução rapidamente, de modo a que esta instabilidade não se alastre ao balneário que, como já referi, me parece estar do lado do treinador.

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Um regresso importante

Uma rotura total do tendão de Aquiles quase antecipou o final da carreira de Helton. Numa prova de superação, o guarda-redes brasileiro recuperou e volta a ser opção no FC Porto. Um regresso que se saúda de um jogador carismático, com muita experiência e que ainda pode desempenhar um papel muito importante durante esta época. É uma referência e um elemento agregador do balneário. Dentro de campo, se estiver a 100%, irá lutar pela titularidade. A sua técnica evoluída permite-lhe atuar, com facilidade, como líbero em certos momentos do jogo, algo que é muito apreciado por Lopetegui.

A Bola de Ouro e CR7

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2014 foi um ano quase perfeito para Cristiano Ronaldo. Uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes, uma Supertaça Europeia e uma Taça do Rei, a par dos mais de 60 golos que apontou, retratam um dos melhores momentos da carreira do internacional português. É certo que o Mundial do Brasil não correu bem para ele e para os portugueses e, por esse prisma, é compreensível que muitos entendam que Manuel Neuer merece a Bola de Ouro. Mas por tudo o que fez de brilhante em 2014, a distinção assenta que nem uma luva a CR7.

O senhor que se segue

Confirmada a saída de Enzo Pérez para o Valencia, volta a ser necessário o trabalho de laboratório de Jorge Jesus para encontrar uma solução válida para o miolo do terreno, na mais importante posição do esquema do treinador, o centrocampista que faz a ligação entre a defesa e o ataque. Pizzi tem sido adaptado à posição, Samaris também pode jogar aí e o recuo de Talisca também é uma possibilidade. Isto, enquanto Fejsa e Rúben Amorim recuperam das lesões. Quem será o novo médio "box to box" da águia?

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