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Apesar de falar sempre de forma positiva do Benfica e continuar a torcer pelas águias, o belga Jan Vertonghen nunca escondeu que a sua saída da Luz não foi bem aceite. Já o disse em algumas ocasiões, mas esta semana, em entrevista ao 'Het Laaste Nieuws', foi um pouco mais além e deixou críticas à postura da direção encarnada em todo o processo que conduziu à transferência para o Anderlecht, a 31 de agosto de 2022.
No clube belga acabou por eventualmente reencontrar-se e até assinar bons jogos, mas os primeiros tempos foram bastante complicados, como o próprio assume. “Isso não teve nada a ver com o Anderlecht. Teve sim a ver com o facto de a minha saída do Benfica ter corrido muito mal. Compreendo perfeitamente o lado empresarial dessa decisão, mas, enquanto líder de um clube, nunca o teria abordado dessa maneira. Só no último dia do período de transferências é que recebi a mensagem de que já não ia jogar", recordou o antigo defesa.
Nessa altura, mais do que o aspeto desportivo, Vertonghen tinha em conta o lado pessoal e familiar. “Enquanto a minha mulher, que trabalhava em Portugal, e eu dávamos como certo que íamos ficar em Lisboa. E depois surgiu aquela proposta do Anderlecht. A minha mulher limitou-se a dizer: 'toma tu a decisão' e acabei por decidir em função da minha carreira. Achei isso incrivelmente difícil porque sentia que estava a afastar a mulher e os filhos de um ambiente onde eram muito felizes", lembrou o belga, num momento em que olha para a parede da sua casa e vê a camisola do Benfica com o seu nome e o número 2023, alusivo ao término do contrato que tinha.
“Eu já estava a pensar: 'porque é que diz ali 2023?' Mas eu tinha assinado um contrato até 2023. O meu objetivo era cumpri-lo, tentar espremer mais um ano extra e depois, eventualmente, terminar a carreira de futebolista após o Mundial de 2024. Nessa altura, podíamos decidir em família se queríamos ficar em Lisboa ou fixarmo-nos noutro sítio.”
Sobre o processo de saída, o agora antigo defesa central recorda com mágoa aquele dia 31 de agosto de 2022. “Lembro-me que, em princípio, tinha de voar para a Bélgica para os meus exames médicos logo na manhã seguinte a ter dado o meu sim ao Anderlecht. Foi aí que disse pura e simplesmente: 'desculpem, isso não vai dar'. Os meus filhos ainda estavam num campo de surf perto de Lisboa, não podia partir sem os ver. Fui para lá a conduzir para dar a notícia pessoalmente. Para mim, essas primeiras semanas no Anderlecht foram as mais difíceis da minha carreira como futebolista. Penso que esse sentimento só desapareceu após o Campeonato do Mundo de 2022 no Qatar. Porque vi nessa altura que os meus filhos e a minha mulher, que encontrou trabalho em Antuérpia bastante depressa, também eram felizes na Bélgica.”
Vertonghen viria a jogar três temporadas no Anderlecht, antes de retirar-se em 2025.
Por Fábio Lima