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Não têm vergonha srs. conselheiros?

Não têm vergonha srs. conselheiros?

Se dúvidas houvesse sobre a falta de credibilidade da “justiça desportiva”, a decisão agora tomada pela secção profissional do Conselho de Disciplina da FPF, presidida pelo juiz jubilado Herculano Lima, era o (mau) exemplo que faltava para convencer os mais desprevenidos.

Com efeito, não se trata do castigo em si – 15 dias de suspensão e multa no valor de 1 500 euros –, enquadrada na moldura penal prevista para sancionar declarações de agentes desportivos (no caso vertente, treinadores) sobre a falta de imparcialidade ou idoneidade contidas nos desempenhos das equipas de arbitragem. Trata-se do atabalhoamento conferido pelo adiamento de uma decisão que há muito deveria ter sido tomada, em nome da integridade das competições.

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Uma incidência protagonizada, publicamente, por um treinador, observada e ouvida por milhões de telespectadores, não pode ser tomada em 188 dias, isto é, em cerca de meio ano. A pergunta é muito simples: PORQUÊ? Se os doutos conselheiros não conseguirem responder a esta singela pergunta (porquê?) e se não encontrarem, como não podem achar, a correspondente explicação, não têm outra alternativa senão demitirem-se. Sim, senhores conselheiros, a começar pelo seu presidente, Herculano Lima: não há um pingo de vergonha em relação ao rotundo falhanço do timing da decisão? E se, por atalhos e vielas, ousarem descobrir uma justificação, será que também conseguirão fazê-lo, por artes de “prestidigitação jurídica”, em relação ao facto de terem encontrado no calendário uma frincha a partir da qual o sancionado pode aliviar a sanção?

Não é um escândalo esperar pela paragem do campeonato para aplicar um castigo que dura exactamente o lapso temporal correspondente a essa paragem? O que querem provar os senhores conselheiros – que não estão dominados ou contaminados pela cor clubística de que são acusados? Ou andam a preparar algo ainda mais fabuloso?...

Da leitura do acórdão resulta ainda a fundamentação do voto de vencido de Herculano Lima: ele consegue afirmar, preto no branco, que o Benfica perdeu o campeonato, por causa do erro de arbitragem cometido (no jogo com o FC Porto) pelo auxiliar Ricardo Santos. Teses destas costumamos ouvir nas tabernas ou entre fanáticos-de-painel. Não através de um juiz jubilado, que tem de apreciar os factos e nada mais. E a questão que mereceria ser apreciada era tão-só sobre se houve, ou não, violação dos regulamentos por parte do treinador do Benfica. Se produziu declarações que, pelo seu conteúdo, punham em causa a idoneidade da equipa de arbitragem ou de algum dos seus elementos. Nada mais. Um assalto até pode ser cometido com a melhor das intenções no entendimento de quem o comete. Mas não deixa de ser um assalto, punível por lei.

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Neste caso, o FC Porto tem toda a razão, quando fala em “descrédito da competição”. Vou mais longe: não é apenas descrédito. É mais um péssimo exemplo da falência ética e moral do futebol português. E do sistema em que se alicerça. Não haverá “justiça desportiva” enquanto se mantiver o vício de forma, com os clubes a indicar as pessoas (de confiança) para os respectivos órgãos.

Que venha o Tribunal Desportivo, com membros designados pelo Conselho Superior de Magistratura. Já chega de tanta ridicularia!

TEMPO EXTRA

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Não é triste?...

... E depois do Real Madrid qual será o destino de José Mourinho e de Cristiano Ronaldo? É um cenário que faz sentido começar a desenhar. Pelo tempo que Mourinho e Ronaldo já acumulam na capital espanhola e, sobretudo, pelo desgaste que a acção protagonizada pelo treinador português desencadeou nas hostes “madridistas”. A “tristeza” de Ronaldo é o tema. Mas a “tristeza” de Ronaldo não é apenas um estado de espírito. Faz parte de um negócio que é preciso alimentar e cujo sucesso depende, também, dos poderes que a triangulação entre Mourinho, Mendes e Ronaldo conseguir consolidar na indústria do futebol, à escala global. A “tristeza” de um é a “tristeza” de todos – e isso não é bem tolerado por algumas franjas do Real, inclusive dentro da cabina...

Começam a surgir sinais de que está em marcha a sucessão de Ferguson, no Manchester United. Com Guardiola no caminho. Não é triste?...

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JARDIM DAS ESTRELAS

Adrien renova - e o Sporting? [4 estrelas]

Tudo está bem quando acaba em bem. Adrien renovou pelo Sporting até 2017, depois de um processo que chegou a ter tudo para acabar mal. O Sporting vive um dilema: não pode exportar a sua imagem de “clube formador” se não conseguir dar continuidade ao trabalho que permitiu “dizer ao Mundo” onde “nasceram” jogadores como C. Ronaldo e Figo. O Sporting viveu um tempo em que formou muitos jogadores, mas, uma vez chegados aos seniores, não conseguiu tirar o benefício que esse trabalho mereceria. Nem desportiva nem financeiramente. O que talvez tenha levado os responsáveis a inflectir as políticas, ainda com fracos resultados. O que significa, afinal, esta boa notícia (para os ‘leões) da renovação contratual de Adrien?...

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O CACTO

E agora, Iturbe?

Com a venda de Hulk para o Zenit, abre-se o debate em torno do seu ‘sucessor’, no FC Porto. James de um lado e Atsu do outro? Reaparece Varela, entretanto eclipsado? Ou muda, finalmente, o sistema táctico (4x3x3) que Jesualdo Ferreira deixou no Dragão? Poderá jogar James mais perto do ponta-de-lança para ser possível encaixar Iturbe no “4” do meio-campo, onde há um trio aparentemente inamovível? Têm sido muito poucas as oportunidades de Iturbe, o que não deixa de ser estranho, dada a reputação do jovem argentino. E, se não for desta, ainda será mais estranho...

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