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Caro leitor, permita-me que puxe dos galões: foi neste espaço – que muito me honra preencher todas as terças-feiras – que surgiu o atempado alerta sobre as reais capacidades do guarda-redes do Benfica. O campeonato ainda não tinha começado.
Infelizmente para o Benfica, felizmente para o FC Porto, Roberto foi confirmando em momentos-chave a irracionalidade de tão grande investimento. Claro que Roberto tem ótimas defesas a remates frontais. Tem também boa cobertura da baliza em lances de um para um. Mas tem defeitos técnicos que condenam qualquer equipa onde jogue a ficar aquém das grandes conquistas. O golo marcado por Guarín foi apenas o eloquente epílogo de uma série negra de erros que tiraram pontos ao Benfica.
O Benfica tem um problema na baliza, e não terá alguém que lho queira comprar nem por um terço do valor pago ao Atlético Madrid. Por isso, o problema Roberto ameaça eternizar-se na Luz.
Olhemos agora este campeonato pelo lado positivo: o futebol português viu nascer mais um grande talento como treinador. Villas-Boas com a sua confiança serena ou exaltação coletivista arranca certamente para uma grande carreira, onde o segredo mais difícil será saber gerir o momento de saída do seu clube do coração. A melhor maneira de abandonar um grupo é deixando saudades. Mourinho sempre o soube fazer com grande mestria, mesmo quando o afeto dói.
O jovem técnico do FC Porto tem talento e brilho próprio bastantes para um dia se confrontar com o mestre no topo da Europa. É só não desperdiçar a sorte deixando o coração falar mais alto do que a frieza necessária à gestão competente de uma grande carreira.