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Os 19 pontos perdidos pelo FC Porto nos 12 jogos já disputados em casa – com 10 deixados pelo Benfica na Luz e apenas 9 desperdiçados pelo Sporting em Alvalade –, consequência directa dos escassos 15 golos apontados pelos portistas no Dragão (metade dos do Sporting e menos oito do que Benfica ou o Belenenses no seu terreno, e menos cinco do que o Rio Ave conseguiu em Vila do Conde em apenas 11 partidas) e dos 10 sofridos – oitava defesa nos desafios caseiros! –, são o único verdadeiro grande acontecimento desta edição da SuperLiga. Porque bastava ao FC Porto ter perdido só metade desses pontos para dispor de um avanço que teria já deixado a concorrência a pensar na liga da próxima época. Mas a renúncia de José Mourinho e a partida de jogadores nucleares como Deco, Ricardo Carvalho ou Derlei teria de deixar marcas, pelo que a continuação portista na liderança do campeonato acaba por ter de ser vista ao contrário: tivessem Sporting ou Benfica, ou os dois, aproveitado algumas das oportunidades que já desperdiçaram e seria o FC Porto, nesta altura, a ver a SuperLiga por um canudo. Para já não falar de Sp. Braga e Boavista que, com um golpe de asa, já podiam ter ido por ali acima... Grande temporada, esta!
Geovanni
Talvez nunca os adeptos benfiquistas tenham valorizado tanto o seu extremo como agora. O brasileiro tem feito a sua carreira na Luz como se fosse apenas mais um e não a grande esperança que um dia chegou a Camp Nou rotulado de craque e acabou “desviado” para Lisboa quando o Barça perdeu as ilusões de ter encontrado uma nova estrela. A verdade é que Geovanni se tem afirmado na equipa de Trapattoni da melhor forma – com golos decisivos. Foi assim na vitória em Alvalade da época passada, foi assim com o “bis” no triunfo na Luz sobre os velhos rivais para a Taça, foi assim a semana passada contra o V. Guimarães, foi assim agora, no Dragão, com um tento precioso e que define a qualidade de um jogador. Chapeau!
Niculae
O romeno de vez em quando lá aparece... Como aconteceu com Sá Pinto, era já um nome fora do baralho, praticamente esquecido pelos adeptos que já não acreditavam na sua recuperação. Mas o seu regresso – como o de Sá Pinto – deve também incluir-se no crédito de José Peseiro, cuja infinita paciência e louvável determinação tornaram possível o tempo de espera de que ambos os jogadores precisavam para voltarem aos relvados. E a sua recuperação – bem como o lançamento de João Moutinho – constitui, em tempo de vacas magras, um interessante reforço dos efectivos disponíveis no Sporting, com um factor positivo suplementar – o de moralizar o plantel. É Peseiro no seu melhor. Parabéns.
Nuno Gomes
Lá que o treinador italiano percebe de futebol, percebe, estamos todos convencidos disso, ainda que o injusto afastamento de Moreira permaneça como pedra no sapato. Mas devo confessar que temi o pior quando vi duas das opções de Trap para o clássico do Dragão. A primeira foi a insistência em Dos Santos, que não tem categoria para jogar no Benfica e que, aliás, deixou a sua marca de fraqueza no golo do FCP – McCarthy fugiu-lhe com uma limpeza assombrosa. A outra foi a colocação de Nuno Gomes no banco, depois de um jogo, com o V. Guimarães, em que o Benfica marcou dois golos depois de duas assistências de Nuno Gomes, a primeira das quais – para Geovanni – absolutamente genial. Karadas? É um bom rapaz, mr. Trap.
O Xistra que se segue
O que aconteceu no Dragão quando o Belenenses lá foi perder na primeira volta da SuperLiga é sabido: Juninho Petrolina sofreu falta e levou ainda por cima com um segundo amarelo que deixou a equipa lisboeta reduzida a 10, na primeira parte e com o resultado em 0-0. O que sucedeu em Belém na última visita do FC Porto está igualmente fresco: Lourenço foi derrubado por Ricardo Costa quando ia fazer uma recarga na cara de Baía, já perto do fim do jogo, o árbitro Carlos Xistra aos costumes disse nada e os azuis da capital voltaram a perder.
Também na primeira volta, em Alvalade, o Sporting, que recebia o Belenenses, abriu o activo com uma cabeçada de Liedson na sequência de um pontapé de canto indevidamente marcado – devia ter sido pontapé de baliza... Este domingo, como é suposto os leões irem ganhar ao Restelo, a curiosidade estaria apenas em saber com que “azar” iria o Xistra de serviço resolver tal problemática. Mas a nomeação de Pedro Henriques tira um bocado de sal à coisa...
José Rachão
Sem que nada me mova contra o treinador do V. Setúbal, quero expressar a minha surpresa pela opção de Chumbita Nunes (ou de Quinito?) ao escolher José Rachão para técnico dos sadinos. Como era previsível, em 12 pontos possíveis 8 já lá vão, em quatro empates que tiraram charme ao futebol vitoriano e interesse à SuperLiga, com aquele “império do meio”, sete clubes separados por 5 pontos – entre os 34 do Marítimo e os 29 do Belenenses – e já conformados com o seu destino. Claro que sou suspeito, não só porque entendo que o Vitória ficava mais bem servido com o amor ao emblema de Carlos Cardoso, como porque quem eu gostava de facto de ver terminar a época no Bonfim era Mourinho Félix. Se ele estivesse para isso, tinha graça...