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O discurso de Pinto da Costa sobre o Benfica-FC Porto de hoje é sábio. E serve principalmente ao Benfica.
A Taça da Liga não apura para nenhuma competição europeia. Dá algum dinheiro, mas nada que permita pagar mais de quatro meses de salário a um craque. Em suma, a Taça da Liga não tem prestígio. É apenas um fenómeno de oportunidade televisiva.
Se nenhuma televisão ainda conseguiu fazer eleger um Presidente da República – felizmente! –, a SIC logrou já, muitos anos depois de Rangel, impor uma competição que deveria essencialmente servir para rodar jogadores jovens ou com menor utilização.
No fundo, esta taça pífia deveria substituir com vantagem os antigos campeonatos de reservas. Porém, uma televisão com tanto carisma quanto problemas financeiros, agarrou estes jogos que envolvem os grandes emblemas e transformou-os artificialmente em importantes.
E agora que o telespectador os considera importantes, os jogos da Taça da Liga assumiram relevância pública de primeira grandeza.
Os clubes desgastam aí os seus principais ativos, mesmo quando o principal objetivo deveria ser outro. No caso do Benfica, Jorge Jesus ainda pode vencer o campeonato e... a Liga dos Campeões. Neste momento o meu leitor está a sorrir – “a Liga dos Campeões”? Sim. É tão possível o Benfica ser campeão da Europa como o Braga ser campeão nacional.
Por que razão vai Jorge Jesus desgastar neste jogo caseiro de terceira escolha os mesmos jogadores que podem trazer ao Benfica a glória e o dinheiro de uma ida à meia-final da Liga dos Campeões? Só por erro crasso.
As palavras de Pinto da Costa podiam até ser entendidas como um conselho amigo para o Benfica. O que, admitamos, não estava certamente na intenção do presidente do FC Porto.