No choque mais equilibrado, em jogo jogado, da era-Mourinho, o seu Real Madrid foi humilhado em casa pelo Barcelona com um impressivo 1-3 no marcador final. Mourinho não merecia tal castigo. Passo a passo, o génio português tem corrigido a equipa, selecionado as peças certas, acertado posições para chegar ao nível da máquina idealizada por Guardiola. No passado sábado faltou a Mourinho a outra estrela portuguesa de Madrid. Ronaldo não falhou um golo fácil, mas sim dois. Um na primeira parte com remate torto na entrada da área e sem oposição até à baliza de Valdés; outro no segundo tempo numa cabeçada pífia, indigna da dimensão global do craque português.
Ronaldo não é de quebrar, voltará à luta com Messi já no próximo confronto. Mas parece que os gritos de “Messi” lançados pelos adversários de Portugal para desestabilizar Ronaldo podem estar a produzir um efeito pernicioso sobre o “sete”, quando entra em confronto direto com o génio argentino. Ronaldo nunca deveria ter reagido ao nome de “Messi” gritado da bancada. Desde a primeira vez que as turbas adversárias descobriram reação ao grito “Messi”, esse calcanhar de Aquiles tornou-se, e tornar-se-á, num eco sempre repetido para pesar sobre as costas do superatleta. Ronaldo tem de ultrapassar esse trauma. Para ser número um mundial, Ronaldo não pode nunca ter os ouvidos na bancada.
Já o escrevi aqui: Messi é um esteta do futebol em estado puro. Não se desconcentra, não treme, persiste sempre e executa de forma sublime em pequenos espaços. Depois, coloca a bola onde nem estão os olhos.
Ronaldo tem para responder na luta pelo topo uma explosão contínua, o poder de remate, o peso no corpo-a-corpo e o jogo de cabeça incomparavelmente superiores. Isto se a cabeça – o que nela mais conta – não entrar em jogo baralhada, como manifestamente, para azar de Mourinho, aconteceu no passado sábado.