"Nunca dizemos aos nossos jogadores que forcem o quinto amarelo". Esta foi a resposta do treinador do Barcelona, Luis Enrique, após o jogo da sua equipa, na semana passada, contra o Celta de Vigo. Umas horas depois destas declarações, um programa de televisão desmentiu-o por completo, difundindo imagens em que se vê o técnico a chamar Sergio Busquets, imitando depois o gesto que os árbitros fazem quando mostram um cartão.
Otreinador do Barcelona disse claramente a Busquets para forçar o cartão amarelo e... assim foi. Pouco tempo depois da sinalética do treinador, o médio catalão demorou dois minutos a cobrar uma falta, foi admoestado com o quinto amarelo, não atuou frente ao Almería na quarta-feira e está limpo para os jogos supercomplicados do Barcelona. São eles o de Sevilha (jogado ontem), com o Valencia e ainda o dérbi catalão, diante do Espanyol. São praticamente três finais e Busquets é um elemento fundamental para os culés.
Luis Enrique teve, afinal, uma atitude semelhante à de todos os outros treinadores, recordando a Busquets que era o momento de forçar o amarelo. Pouco depois, na conferência de imprensa, teve de mentir descaradamente para que Busquets não fosse castigado com mais um jogo de suspensão. O que Luis Enrique fez não é novidade para ninguém. Nas últimas jornadas, no momento da verdade, os melhores não podem faltar, não podem dar-se ao luxo de perder os compromissos mais difíceis, aqueles que podem decidir campeonatos, pelo que seria uma estupidez que Busquets não forçasse o quinto amarelo. Isto é algo que sempre aconteceu, acontece e sempre acontecerá em todos os países e em todas as competições. Existem muitos mais exemplos tão claros como este.
Lembro-me do caso de Nani, já na temporada em curso. Na 15.ª jornada da 1.ª Liga, frente ao Estoril, o internacional português foi admoestado com o quinto amarelo logo no início do jogo. Com esse cartão, o extremo falharia o encontro importantíssimo da ronda seguinte, frente ao Sporting de Braga, no Minho. Inteligentemente, forçou, nos minutos finais, o segundo amarelo e foi expulso. Com esta estratégia falhou apenas a partida seguinte, que era para a Taça de Portugal, frente ao Famalicão, e ficou assim disponível para jogar contra um rival direto e de grande qualidade como é o Sporting de Braga.
Outro caso, e talvez dos mais polémicos dos últimos anos, aconteceu nos tempos de Mourinho ao serviço do Real Madrid. Em 2011, na quinta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, contra o Ajax, em Amesterdão, o Real Madrid ganhou por 4-0 e, já na parte final do encontro, o treinador português pediu a Sérgio Ramos e Xabi Alonso que forçassem o segundo amarelo. Ambos foram expulsos, cumpriram o castigo no último jogo do grupo, frente ao Auxerre, e limparam os cartões para os oitavos-de-final. Dois anos depois, na primeira partida dos quartos-de-final, frente ao Galatasaray, no Estádio Santiago Bernabéu, o Real Madrid ganhava 3-0 e os mesmos protagonistas, também perto do fim, voltaram a forçar o segundo cartão amarelo. Não jogaram na Turquia e ficaram "limpos" para as meias-finais. Como dizia um génio do futebol que tive o prazer de por ele ser treinado, o grande mestre Luis Aragonés, "o futebol é para inteligentes". Enquanto esta lei desprovida de lógica continuar, todos os treinadores vão preferir ser tratados como mentirosos do que como parvos.
Dentro de duas semanas disputa-se um Benfica-FC Porto que pode ser o jogo do título. Ontem, no Estádio da Luz, o Benfica enfrentou a Académica com quatro peças essenciais no onze em risco de suspensão. Maxi Pereira, Samaris, Salvio e Jonas são jogadores que têm de ser utilizados no clássico e seria horrível para o Benfica que algum deles falhasse o jogo mais importante do ano. Antes de a partida se iniciar, pensava que o mais lógico seria os quatro forçarem o amarelo, cumprindo castigo frente ao Belenenses, e ficando automaticamente disponíveis para o encontro seguinte, diante dos dragões. Enganei-me. Só Maxi ficará de fora do compromisso do Restelo. Mas entendo a atitude de Jorge Jesus. Se os quatro ficassem ausentes de uma assentada seria um escândalo e até o presidente da UEFA, o meu amigo Michel Platini, iria fazer declarações contra Jesus. Mas também não entendo como é que ele pode apoiar esta lei. Foi um dos melhores da história e sabe que o futebol não é para estúpidos.
Grande caldeirada -- Autocarro do Fenerbahçe
De caldeirada não tem nada. Foi quase uma tragédia! Na semana passada, o autocarro da equipa turca, onde jogam os portugueses Bruno Alves e Raul Meireles, sofreu um atentado. O motorista da equipa foi atingido por uma bala e milagrosamente o autocarro nunca perdeu o controlo. Um herói! A intenção destes autênticos terroristas era matar todos os jogadores do Fenerbahçe. Não há palavras. Este Mundo está mais louco a cada dia que passa.
Nós lá fora -- Beto renova
Beto conseguiu finalmente o seu objetivo e renovou contrato com o Sevilha por mais duas temporadas, com outra de opção. Após algumas dificuldades nas negociações, que duraram várias semanas, o internacional português teve mais uma prova do excelente trabalho que tem realizado no clube andaluz. Parabéns, amigo!
Do meu álbum -- Força, FC Porto!
É já nesta quarta-feira que se joga a primeira batalha entre FC Porto e Bayern Munique, para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Será uma eliminatória muito complicada para o FC Porto, pois a equipa de Guardiola é superfavorita. Mas o Bayern também era favorito em 1987. Sempre que me lembro da mítica final de Viena, chego à conclusão que tudo é possível. Na altura, contra todos os vaticínios, nós levantámos a Taça. Por que não passarmos também agora às meias-finais? Muita força para Lopetegui e para todos os seus jogadores!