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O futuro corre a favor de Josué

O futuro corre a favor de Josué

1 - Nem sempre a juventude associada à irreverência é admirada por quem lidera, porque nem todos os comandantes têm paciência para exercer a pedagogia da moderação, da humildade e do saber. No futebol, génios houve que não atingiram o Olimpo pelo perpétuo desencontro com mestres capazes de extrair-lhes todo o potencial – pouca fortuna a de quem só passou pelas mãos de generais que, de tão pressionados pela urgência de vencer, nunca tiveram disponibilidade para ensiná-los. Antes de lançar Raúl na liga, Jorge Valdano disse-lhe que estava a pensar pô-lo a titular mas não tinha a certeza de que ia fazer bem. “Se quer ganhar ponha-me; se não quer escolha outro”, aconselhou o então jovem madridista. Não custa imaginar diálogos semelhantes entre Paulo Fonseca e Josué desde que se cruzaram em Paços de Ferreira.

2 - Aos 23 anos, o médio portista transporta ainda traços do menino que só nunca aceitou ser posto em causa como futebolista; um predestinado cujo espírito de reivindicação só não tolera que lhe belisquem o orgulho de ser bom com a bola nos pés. Quando entra em campo está afinal a concluir uma longa história na qual foi confrontado com a necessidade de reprimir o instinto de sempre: o de jogar para o aplauso, para a admiração de quem o rodeia ou até para conquistar a miúda mais gira da escola. Desviado do centro do jogo, numa função que permite ao FC Porto versatilizar-se taticamente, Josué está a preencher o disco rígido com os valores de experiência, maturidade e sensatez, moderando os ímpetos de uma certa loucura juvenil e arrefecendo a paixão que lhe desfocava o essencial do que devia fazer.

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3 - Habilidoso, perfeito para as associações curtas, a máxima expressão do seu futebol traduz-se na arte de guardar a bola como se fosse um tesouro precioso e na visão escandalosa sobre vastíssimo raio de ação, qualidade que lhe permite oferecer joias a companheiros com impressionante regularidade. Josué assenta no dom dos génios, na chamada quinta velocidade (a mental). É um puro-sangue que só há poucos meses permitiu que lhe pusessem a mão em cima – Paulo Fonseca domou-lhe a parte mais nociva da irreverência; destruiu-lhe a convicção de que não havia no Mundo outro como ele; e obrigou-o a uma atitude menos egocêntrica no grupo, comportamento que chegou a causar-lhe embaraços no relacionamento com o balneário.

4 - Josué está em processo de integração numa grande equipa. Não é o maestro que dá rumo à orquestra e harmoniza as distintas contribuições individuais, muito menos a figura aglutinadora que faz girar a equipa à sua volta; mas diversifica o reportório coletivo a partir dos flancos, inventa linhas de passe inimagináveis e concebe milagres que comportam a magia de furar muralhas de aço com um simples toque na bola. Mesmo sem atingir o zénite do que pode e sabe, tem sido titular do campeão nacional e começa a ser presença assídua na Seleção. O futuro corre a favor do seu talento. Para se candidatar a um lugar na história basta que saiba interpretar o momento; adaptar a insolência de outrora à responsabilidade como jogador do FC Porto e valorizar o facto de Portugal não ter outro médio com tanto potencial criativo.

Carrillo ainda vai a tempo

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Há jogadores que, após prolongadas ausências, recuperam a aura de talentos grandiosos

Carrillo chegou a Portugal com 20 anos, com quase tudo o que precisa para ser grande na vida que escolheu junto às linhas: técnica, velocidade, articulação motora, finta e tiro. Mesmo sabendo que inspiração e regularidade nem sempre andam de mãos dadas, o jovem leão tem abusado da paciência de treinadores e adeptos sportinguistas. Seria mais fácil resolver o problema sem as provas de vida regulares como futebolista de topo, ao jeito das que fez agora com o V. Setúbal. Mesmo sabendo a pouco, é preciso manter a esperança: ainda vai a tempo de explodir como grande estrela.

O correr muito e o jogar bem

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“Hoje corremos pelo presidente” disse Luisão, orgulhoso, no fim do jogo com o Estoril

O capitão benfiquista escolheu forma pouco usual de homenagear o líder do clube, realçando o esforço despendido para garantir a vitória. Costuma dizer-se que o futebol resvala para a mediocridade quando só se joga para algo (a vitória) e pode ser grandioso quando inclui alguém como destinatário da ação (a gente que investe no apoio ao exército dos seus amores). Nesse sentido, as palavras de Luisão indiciam que os jogadores se uniram na defesa do seu presidente. Melhor seria que o tivessem feito a pensar no clube e que, em vez de correr, jogassem mais e melhor.

Miguel Rosa é novo herói azul

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O embate com o Olhanense confirmou que o Restelo vive romance com a nova estrela

Miguel Rosa quis jogar no Belenenses. Para estreia na Liga recusou todas as propostas que chegaram à Luz e assumiu que o futuro só fazia sentido com a cruz de Cristo ao peito. Neste Mundo mercantil, orientado quase exclusivamente pelo dinheiro, a história remete para o futebol de outros tempos. Só por isso, o jogador merece ser feliz nesta nova etapa que o apanha no auge de um talento que não vai ficar por aqui – faz 25 anos em janeiro. Frente ao Olhanense, o Belenenses venceu por 2-0, o herói marcou os dois golos e, no fim, foi substituído para a ovação. Mais do que merecido.

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