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O golfe e a galinha

O golfe e a galinha

Não adianta já falar dos erros de Jesus, que foram graves. Nem da energia que Carlos Martins gasta de forma gratuita em diálogos com árbitros e adversários, e monólogos quase demenciais.

Também – embora este olhar esteja de novo fora de moda, e por isso válido – não convém lembrar que Roberto continua sem saber sair da baliza, como se viu no primeiro golo de Falcão, e antes de forma repetida frente ao Lyon. O Benfica está desportivamente em crise, já se sabia. O Sporting idem. O que merece destaque, hoje, não é a bola de futebol. Nem as inúmeras bolas de golfe, que afinal podem furar as supostamente rigorosas medidas de segurança sempre apregoadas antes de um jogo de alto risco.

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Não, caro leitor. O que hoje aqui me move, o que merece uma reflexão séria e profunda é uma galinha. Como raio é que uma galinha pôde entrar no Estádio do Dragão? Como é que um ser vivo, volumoso, irrequieto, cacarejante, entra num estádio do pós-Euro’2004? E no início da segunda parte, ali estava ela, qual Falcão, a dominar o terreno de jogo junto à baliza do Benfica. O segurança que a tentava apanhar parecia um figurante de boa comédia italiana. O bicho fez dois ou três dribles, entrou por um poste e saiu pelo outro.

Para uma bola de golfe ainda se concebem dois ou três bons esconderijos que possam escapar numa revista mais púdica. Mas uma galinha? Quem deixa entrar uma galinha viva num estádio de futebol, ou está combinado com os autores da proeza, ou deixaria entrar, com a mesma incompetência, até uma bazuca. É este tipo de espertezas pacóvias, nos túneis ou nas claques, que nos mostram quão vão foi o investimento em betão para os novos estádios.

As cadeiras são novas, há conforto, mas chefes e índios continuam uma vergonha que impede o futebol de se transformar num espetáculo para toda a família. E que assim definha. E definha.

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