O incêndio que ameaça Madrid

O incêndio que ameaça Madrid

A participação do Belenenses, em 1947, na inauguração do Santiago Bernabéu, então apenas Estádio de Chamartín, fez do meu pai também adepto madridista e traçou-me o destino clubístico. Em cada início de época, tenho não uma mas duas preocupações, que misturam esperança com alguma dose de angústia.

Sou contido no pedir quanto aos azuis, mas julgo dispormos de condições para um campeonato relativamente tranquilo, como o “quase empate” de segunda-feira, em Braga, nos parece prometer. Já no que respeita aos merengues, como a fasquia é mais alta, o desassossego é maior. E este ano é mesmo muito grande.

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Na derradeira temporada, José Mourinho foi, de forma clara, vítima dos barões do balneário do Real, perante a indiferença do presidente que não protegeu como lhe competia o treinador. E a verdade é que tendo ganho essa luta intestina, o baronato consolidou-se na impunidade e prepara-se para passar pelas armas o novo técnico.

Ainda por cima, Carletto começou a mexer no vespeiro, preterindo Casillas, o barão dos barões, e deixando a parcial imprensa “realista” em transe. O resultado da firmeza de Ancelotti está patente, aliás, no paupérrimo rendimento “blanco” nas duas primeiras jornadas da liga, com vitórias à tangente graças à sorte e a Diego López, que confirmou em campo ser não só bem mais alto que Casillas, como trabalhar mais e defender melhor.

Nas modestas exibições do Real temos de incluir igualmente o desempenho de Cristiano Ronaldo, farto de aturar as primas donas. E como Florentino Pérez não renovou quando devia o contrato com o português, os riscos de o ver partir avolumaram-se. A entrevista de há dias, em que o jogador revelou a vontade de terminar a carreira no Manchester United, não podia ser mais oportuna nem mais perturbadora.

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Se o Bernabéu continuar a assobiar a débil “performance” da equipa, e Cristiano não escapar – e não escapará –, e o Real Madrid rubricar a época dececionante que se anuncia, a porta para a saída de CR7, já em 2014, estará aberta. E a chegada de Gareth Bale, outro galo no poleiro, será o combustível que tornará o incêndio incontrolável.

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