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O mau Ronaldo

O mau Ronaldo

Não vamos aqui escrever sobre a parte épica, maravilhosa, de um jogo que afirmou finalmente Ronaldo como um grande líder da Seleção portuguesa dentro das quatro linhas. Não vamos aqui cantar os excelentes golpes de cabeça do único craque planetário que pode rivalizar com Messi. E até superá-lo com armas diversas. Não seria de mais também sublinhar a coragem e inteligência de Paulo Bento nas substituições. Todas meritórias. Transfiguradoras. Estonteantes.

Não. O que aqui nos traz é o sublinhado dos riscos que Portugal correu durante uma primeira parte de pesadelo. Que a empolgante vitória arrancada na parte final do jogo não faça esquecer tudo o que de mal ficou feito nuns aterradores 45 minutos iniciais.

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Nesta visita a um museu do futebol, Belfast, mais murado reduto de idas eras britânicas, onde ainda se joga com pouco mais do que coração, onde a incapacidade técnica se disfarça com pontapés para a frente, correrias desenfreadas, capacidade de choque e de jogo aéreo, os portugueses entraram com todos os defeitos que moldam derrotados.

Sobranceiros, Ronaldo e companhia enfeitavam lances sem qualquer eficácia. Ronaldo dava o mote e todos os coentrões tentavam imitar – tipo, eu também sei fazer. Arruaceiros, Pepe e companhia discutiam cada decisão de um árbitro manifestamente histérico. Egocêntricos, Meireles e companhia não se uniam nem revezavam na luta pela conquista da bola. Para cereja no topo do bolo de defeitos, Ronaldo exigia a bola mesmo quando cerradamente marcado. Por estes longos e penosos minutos, o líder mandava pelo medo sem comandar pelo exemplo.

Do banco também não vinha calma, mas gasolina para a fogueira de um árbitro de rastilho curto. Uma desgraça nacional adivinhava-se. Várias desgraças parciais passaram pelos olhos da nação. Amarelos gratuitos, golo fortuito, expulsão infantil. Uma náusea que quase tirava a vontade de ver a segunda parte. E, afinal, tudo mudou. Ronaldo transfigurou-se e iluminou a equipa. Mas isso não é o que mais importa. Que erros tão graves não se repitam – eis o que todos desejamos neste caminho para o Brasil.

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