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Durante a fase de grupos discute-se quem terminou em primeiro, quem ficou em segundo, quem marcou mais golos ou quem apresentou o futebol mais sedutor. Mas quando chega a fase a eliminar, essas classificações tornam-se notas de rodapé.
Portugal cumpriu o primeiro objetivo. Qualificou-se. E, olhando para aquilo que verdadeiramente importa, esse era o único desígnio. Ser primeiro ou segundo do grupo pouco significa para uma seleção que ambiciona conquistar um Mundial.
Há uma diferença subtil entre competir para vencer um grupo e competir para vencer um Campeonato do Mundo. A primeira exige consistência; a segunda exige evolução. Obriga uma equipa a descobrir novas soluções à medida que a competição endurece. Foi precisamente isso que o jogo com a Colômbia ofereceu a Portugal. A seleção sul-americana confirmou ser o adversário mais completo do grupo. Forte na pressão, organizada com bola e inteligente na ocupação dos espaços, obrigou Portugal a abandonar zonas de conforto. Competir, significa aceitar que o adversário também terá momentos de domínio. Essa talvez tenha sido a maior vitória desse empate. Há aprendizagens que apenas os adversários mais fortes conseguem proporcionar. A Colômbia mostrou que controlar um jogo nem sempre passa por monopolizar a posse de bola; passa, muitas vezes, por saber sofrer, reorganizar-se e esperar pelo instante certo para recuperar o controlo. Agora, porém, começa um torneio diferente. Na fase a eliminar desaparecem os cálculos. Cada decisão ganha um peso definitivo. O Mundial transforma-se num exercício de maturidade.
É neste contexto que surge a Croácia.
Se a Colômbia vive da intensidade e da verticalidade, a Croácia prefere a paciência. É uma equipa que governa o ritmo do jogo através da posse, aproxima os seus médios, protege a bola e desgasta emocionalmente o adversário. Não procura acelerar constantemente; procura fazer o jogo acontecer ao seu tempo. Portugal encontrará um bloco compacto, confortável a defender em organização e muito competente a fechar os espaços interiores.
Ao contrário da Colômbia, a Croácia não acelera imediatamente após recuperar a bola. Conserva-a, atrai a pressão e encontra, com paciência, o espaço que o adversário oferece. Portugal terá de pressionar melhor, mas sobretudo pressionar como bloco.
Agora começa a única classificação que realmente interessa, a dos que continuam a acreditar e a dos que regressam a casa. Os grandes campeões são recordados pela capacidade de crescer quando o erro deixa de poder ser corrigido. O Mundial começa, verdadeiramente, quando deixam de existir segundas oportunidades.
Por Rui Faria