Sendo certo que actualmente a principal figura do ténis nacional dá pelo nome de Frederico Gil (que muito tem feito para galgar terreno num circuito bastante intenso), quando chega o Estoril Open, os amantes da modalidade e a maioria daqueles que seguem o mundo do desporto acompanham as "performances" de todos os outros tenistas lusos. E há sempre uma atenção especial para o desempenho de Michelle Brito, a prodigiosa jovem de 16 anos que, desde há muito, é apontada, em Portugal e não só, como uma das mais sérias candidatas, num futuro a médio prazo, a marcar presença nos lugares cimeiros do "ranking" feminino.
A jovem que com apenas 9 anos deixou Lisboa e rumou aos Estados Unidos com o firme objectivo de, um dia, chegar a líder mundial, possui, indiscutivelmente, um talento tremendo. Não é comum ver jogadoras desta idade a bater tão forte na bola, a conseguir destruir variadíssimas vezes os serviços das opositoras, a revelar uma coragem tão grande, a ter momentos de verdadeira superação mesmo diante algumas das mais fortes jogadoras do Mundo. Estes atributos, claro está, não estão ao alcance de todos. Só dos predestinados.
É por ser potencialmente uma jogadora de nível superior que os portugueses a acarinham tanto. Por isso e por gostarem da simpatia da miúda que, quando tentada pelos norte-americanos para "virar" cidadã dos Estados Unidos, sempre disse (e cumpriu) que era e queria continuar a ser lusa. E por se esforçar por continuar a falar português, embora seja o inglês que mais utiliza.
Mas, quem anda pelos "courts" do Jamor - ouvindo conversas e vendo jogos - não pode deixar de questionar algo essencial: O que vale, de facto, Michelle Brito? É assim tão talhada para ser uma estrela ou será apenas uma boa jogadora?
Não concordo com a opinião de muitos anónimos - e de alguns jogadores e técnicos que, em surdina, lá vão dizendo o que pensam sobre o assunto - que consideram Michelle apenas e só um produto de "marketing". Quer se queira, quer não, ela é a 136.ª jogadora do Mundo porque conseguiu resultados suficientes para aí estar. Ninguém lhe deu nada. E quem chega tão alto (com esta idade) não pode ser só uma "invenção" da imprensa e dos patrocinadores. Que Michelle tem talento acima da média... é óbvio. São os invejosos ou distraídos podem dizer o contrário.
O problema é que, mesmo não esquecendo os seus 16 anos, a portuguesa parece não estar a evoluir conforme se esperava (e desejava). Os erros que se viram o ano passado continuam na mesma. O serviço é uma autêntica dor de cabeça. Para ela e não para as adversárias! Mas esse, infelizmente, não é o único obstáculo que, por agora, a tem impedido de subir no "ranking". Michelle joga sempre da mesma forma: ao ataque, com o risco máximo e com toda a força que consegue colocar em cada pancada. Não se discute o sistema, nem a opção, mas questiona-se, evidentemente, a incapacidade para ler o jogo e optar por outras estratágias quando o momento ou as características das oponentes assim o determinam.
Michelle continua confiante e com uma fé inabalável. E mesmo após uma humilhante derrota com Peer (sofrer dois 0-6 após ganhar um "set" 6-4 e a jogar com o público a seu favor é, no mínimo, invulgar), garante que vai continuar a ser treinada pelo pai e a exercitar o seu ténis preferencialmente com o irmão. Não sei se o problema é esse (como ouço muitos especialistas da modalidade a afiançar), mas tenho a certeza que o jogo dela se não está a estagnar, pelo menos não evolui como seria suposto. E isso começa a ser preocupante. Para todos os que gostam de ténis, para todos os que querem ver jogadores lusos a discutir as grandes provas e para aqueles que a têm apoiado. Só ela (e a sua família) parece convicta que o caminho a seguir é aquele que trilhado. Espero que não se engane...