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O relógio não é de ferro

O dr. Dias da Cunha não se sentou, no domingo, na tribuna do Estádio do Restelo, para ver a actuação do seu Sporting, e o sr. Luís Filipe Vieira não foi detectado, nesse mesmo dia, na Choupana, a assistir ao Nacional-Benfica. Fazem bem, que os anos vão passando e o coração de um homem não é de ferro.

Com o Sporting a perder – e o Belenenses a desperdiçar oportunidades atrás de oportunidades (Neca, Juninho, Rodolfo Lima, Paulo Sérgio...) – e o Benfica a ganhar, mas a ser submetido a uma pressão final angustiante – ai aquele penalty à barra! –, muitos abalos teriam sofrido, em hora e meia, as “máquinas” dos dois cautelosos presidentes.

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Nada que preocupe Pinto da Costa, que lá esteve, estoicamente, no banco portista em Penafiel, muito tempo a ouvir das boas e a ter de se calar, depois a saltar, exuberante e provocador, na direcção das massas, logo após o remate vitorioso de McCarthy. Foi uma imagem fugaz a que captámos a seguir, graças a um operador de imagem atento mas discreto, e que nos mostrou o líder do FC Porto em dificuldades, sentado, amparado e a dar corda ao “relógio”. E é esta a simples diferença entre quem se importa e quem não se importa de sucumbir em combate.

McCarthy

Teve sorte o FC Porto em Penafiel? Teve, embora essa coisa da sorte seja só para os que fazem por ela. A garra e o talento do avançado sul-africano, nomeadamente na segunda parte da partida, foram determinantes para que, quatro minutos depois da hora, aquele remate batesse num defesa penafidelense, traísse o guarda-redes Nuno Santos e desse a vitória aos campeões nacionais, europeus e intercontinentais – cada vez mais aflitos para resolverem os problemas caseiros, verdade se diga. Mal do futebol quando acabarem os jogadores com uma “alma” como a de McCarthy, que lhes dá energia para se esforçarem mais do que os outros e... ganharem. Benfica e Sporting perderam demasiado com a partida de Del Neri. Mais um mês...

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Paulo Sérgio

O caso tem muito que se lhe diga. O ponta-de-lança Lourenço, sem hipóteses de ser titular em Alvalade, foi cedido ao Belenenses até final desta época. É natural que, também não sendo titular no Restelo, o avançado possa continuar mais uma temporada vestido de azul. Já o extremo Paulo Sérgio é um caso diferente. A sua velocidade metida numa técnica apuradíssima só pode fazer estragos nas defesas adversárias, pelo que parece mais do que provável o seu regresso a Alvalade. E escrevo “parece” porque, ao contrário do que a sua inegável categoria aconselhava, o futebolista foi cedido ao Belenenses até ao final não desta, mas da próxima época! Mistérios que José Peseiro tece, segundo o seu critério, que é o que vale.

Mourinho

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Lá se repetiu ontem a história da final da Taça, quando o Liverpool vencia o Chelsea já perto do termo do jogo e a equipa de Mourinho não parecia capaz de dar a volta ao marcador. Sabe-se o que aconteceu: o empate, o prolongamento e 3-1 para os londrinos quando tudo terminou. Contra o Barcelona, o início do Chelsea foi fabuloso, com 3-0 aos 19 minutos. Mas outros 19 decorridos e o Barça já marcara dois golos, graças ao talento de Ronaldinho, e foi para o balneário “apurado”. Na segunda parte, o Chelsea precisava de mais um tento e Mourinho olhou para a sua boa estrela. Esta desceu para a cabeça de John Terry e enviou a bola para o fundo da baliza de Valdés. Os inimigos de JM ficaram desesperados. Sofrem muito, coitados.

Atenção ao Sp. Braga!

O problema de um inexplicável complexo de pequenez bracarense – verificado nas derrotas em casa com o Penafiel e com o V. Setúbal – parece ultrapassado com esta quinta e claríssima vitória no Bonfim. Afinal, a equipa de Jesualdo Ferreira e Rui Águas tem o terceiro ataque da SuperLiga (com menos dois golos marcados do que o Benfica) e a segunda defesa (com mais dois golos sofridos que o FC Porto), e assinou já excelentes exibições e obteve os consequentes triunfos no Dragão, no Restelo, em Aveiro, em Barcelos e em Setúbal, bem como valiosos empates na Luz, em Alvalade, em Coimbra e em Leiria.

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Deu-se mal na Madeira e em Guimarães, é certo, mas tem uma vitória e quatro empates com os grandes, faltando-lhe apenas receber o Sporting. No jogo com o Boavista, em Braga, ganhou por 3-0, veremos o que faz no Bessa... Bem, mas se este rotundo êxito à beira do Sado quer significar alguma coisa, não nos admiremos que os arsenalistas estejam mesmo na luta pelo título. E lá que tinha graça...

Luís Campos

Sou admirador deste técnico jovem, mas a verdade é que ele só me tem dado desgostos. Eu sei que o Beira-Mar de Luís Campos ganhou na Luz, mas temo que, a continuar assim, dentro de dez anos ainda seja essa a sua coroa de glória. E nem sequer me detenho na suprema ironia do destino – acreditam que a última vitória aveirense no seu terreno foi sobre o Gil Vicente então treinado por... Luís Campos? Pois acreditem que é verdade! Não, isso são pormenores, o pior é o técnico ter afirmado, após a “chapa 5” de Leiria, que “os jogadores têm de ser responsabilizados”. Campos deve aprender com José Peseiro, que errando ou não mantém uma honestidade intelectual intocável: perdeu no Restelo e disse que a culpa era só dele. É de líder!

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