O sonho mais lindo de Coentrão

O sonho mais lindo de Coentrão

Porque o Mundo dá muitas voltas, é hoje titular do Real Madrid, tendo como suplente um membro honorário da reserva espiritual do futebol que é a seleção do Brasil (Marcelo). A justiça tardia também é uma forma de injustiça. Fará ele muito bem em desfrutá-la com todas as forças

1 - O mérito da entrega não é infinito. Pode ser comovedor ver um lateral ir e vir dezenas de vezes pelo seu flanco, empurrado por esforço e obstinação, mas nem sempre essas aventuras eletrizantes conduzem ao objetivo fundamental da ação. O suor, como o orgulho, o sacrifício e a generosidade, em nenhum momento pode ter mais peso do que a inteligência. Fábio Coentrão está, aos poucos, a consolidar os valores da sensatez que lhe têm trazido o indispensável equilíbrio. Aos 26 anos, começa a perceber que a experiência esfria paixões e agrega saber às tomadas de decisão. Impulsionado por frescura, juventude e coragem protagonizou alguns atos de heroísmo desnecessários para a equipa mas que encantaram plateias ávidas de heróis. A idade acabará por moderar-lhe os ímpetos de puro-sangue deslumbrante.

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2 - No Real Madrid está a conhecer uma etapa diferente daquela que viveu com a águia ao peito. O cenário de dúvida à sua volta aumentou-lhe a exigência e colocou-o perante novo desafio de superação. Galgar esses obstáculos de enquadramento no clube e na equipa não faz dele, só por isso, um grande jogador. Mas é um sinal claro de que está a dar passos seguros e reveladores de caráter na consolidação como homem. Se na Luz entre ele e os adeptos floresceu uma relação idílica, em Madrid desenvolveu-se incómodo clima de desconfiança. O Bernabéu, e todos os interesses mediáticos que o rodeiam, não esteve pelos ajustes e só aceitou diálogos instantâneos de poucas palavras: receber talento para pagar em aplausos. Tudo na hora.

3 - Há jogadores para quem a simples entrada em campo remete para as peladinhas da infância e da adolescência. Como qualquer profissional, FC joga futebol para ter uma vida melhor e concretizar as ilusões que concebeu no longo percurso entre o mar das Caxinas e o céu de Madrid. Mas mesmo agora que já evitou a derrota social e se tornou um homem bem-sucedido, continua a precisar mais de mimo do que de ouro; se pudesse optar, preferia ganhar menos sendo amado no meio em que vive, do que ficar milionário e ver a vida transformada num inferno de incompreensão, preconceito e crítica sistemática. Em três anos no Bernabéu, quase tudo quanto fez foi resumido a um número exagerado: 30 milhões, a verba que o Real Madrid pagou pelo seu passe.

4 - As periódicas notícias de que estaria disposto a voltar ao Benfica não eram, afinal, devaneios jornalísticos. Eram antes a resposta genuína e instintiva de um homem que só pretendia regressar onde foi feliz e permaneceu como ídolo. Talvez seja agora mais fácil reconhecê-lo como um dos melhores laterais-esquerdos do Mundo, porque o ridículo se apossou dos argumentos com que o foram diminuindo: português, caro e contratado por José Mourinho. FC alimenta agora o sonho da felicidade máxima que seria vencer a Champions no Estádio da Luz. Porque o Mundo dá muitas voltas, conquistou a titularidade no colosso madrileno, tendo como suplente um membro honorário da reserva espiritual do futebol que é a seleção do Brasil (Marcelo). A justiça tardia é sempre uma forma de injustiça. Fará ele muito bem em desfrutá-la com todas as forças.

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Faltou estofo de campeão

Ao contrário do que estava a desenhar-se, o Liverpool vai perder o título em Inglaterra

A equipa fez uma época extraordinária: praticou o melhor futebol da Premier League; confirmou e revelou jogadores de topo; suscitou o carinho dos adeptos neutros e de alguns rivais; e entrou na reta final do campeonato com todos os privilégios para conquistar o título que foge desde 1990. Perder em Anfield com o Chelsea suscitou a dúvida: estarão preparados para ser campeões? A resposta está aí: ganhavam por 3-0, aos 79 minutos, em casa do Crystal Palace, e deixaram-se empatar. A esperança ainda não morreu. Mas perder assim não lembra ao diabo.

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As vantagens de Julen Lopetegui

O inêxito de Paulo Fonseca obrigou a estratégia diferente para o futuro imediato no Dragão

Marco Silva, o nome mais apontado como treinador do FC Porto para 2014/15, não foi o escolhido por Pinto da Costa. Não se trata de pôr em causa o talento do homem que levou o Estoril à Europa em duas épocas consecutivas; o presidente portista agiu apenas como seria de esperar, isto é, entendendo como demasiado arriscado repetir erro com base nos mesmos parâmetros de avaliação – jovem, português, com trabalho em clubes menores. A escolha recaiu sobre Julen Lopetegui que, sendo aposta de risco, tem a vantagem de estar fora do âmbito que valeu ao dragão uma pesada derrota.

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Passos seguros de João Mário

Sem surpresa, o Sporting é a equipa com mais jogadores pré-convocados por Paulo Bento

A Rui Patrício, Cédric, William Carvalho, André Martins, Adrien e Carlos Mané, junta-se João Mário, que os leões emprestaram ao V. Setúbal na segunda metade da época – e vão sete elementos da formação verde e branca. O médio que evoluiu sob o comando de José Couceiro foi exemplar no aproveitamento que fez da primeira grande oportunidade para se exibir com regularidade no patamar mais elevado do futebol português. Provou que tem condições para a 1.ª Liga e merece a confiança do selecionador nacional. Quem sabe se, em 2014/15, não será peça fundamental de uma grande equipa?

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