O tabuleiro de Jesus

O tabuleiro de Jesus

O Benfica está à frente do campeonato, mas o afastamento da Liga dos Campeões e o consequente aperto financeiro ditam saídas que irão agitar a equipa. A propósito da primeira perda de vulto, Matic, Jorge Jesus voltou a tropeçar em declarações desastradas.

Não é um maior ou menor domínio da língua portuguesa que aqui me traz. Preocupante é o que fica subjacente no olhar de Jorge Jesus para o futebol, quando fala em peças para aqui, peças para ali, como se os jogadores fossem peões, bispos ou cavalos, num jogo que só Jesus domina e sobre o qual plana imperial.

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Ora não é assim, de todo. Um jogador é mais ou menos forte conforme o que o treinador consegue projetar nele, de aptidão física e técnica, de tática, mas também muito de confiança e querer. Uma equipa é melhor ou pior conforme o que o técnico consegue somar no coletivo, para lá da mera aritmética que apenas conta valores individuais. É esta falta de superação, a que Jesus fica condenado pelo seu olhar sobre meras peças, que explica aqueles fatídicos últimos minutos no Dragão. E, ainda mais, a vergonhosa exibição, sem ponta de querer encontrar força, que deixou a Taça de Portugal ir para Guimarães.

Sei que não é politicamente correto criticar um técnico que lidera o campeonato, mas é quando as coisas ainda estão a correr bem que as críticas devem ser feitas. Jesus tem evoluído alguma coisa na sua relação com os jogadores – garantem-me fidedignas fontes benfiquistas –, talvez. Falta agora melhorar a sua relação com o próprio jogo. Com a sua essência humana. Com a superação individual e coletiva, que só um líder catalisador de energias positivas consegue.

Jesus tem de olhar para o jogo e ver peças com espírito. Que serão meros peões ou sólidas torres consoante deles se extrair mais ou menos do suplemento de alma.

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E isso Jorge Jesus ainda não aprendeu.

P.S. – Ronaldo recebeu a merecida Bola de Ouro e Messi já marca de novo golos de outra galáxia. Bafejados, nós, os contemporâneos desta fartura de génios ímpares. A lesão de Messi deixa-o mais fresco para um Mundial com duas estrelas demasiado grandes para um mesmo firmamento.

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