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O TAS e os Fernandos

O TAS e os Fernandos

Houve finalmente justiça depois de tantos meses de indecisão. O TAS (Tribunal Arbitral do Desporto) reduziu de oito para dois jogos a suspensão do nosso selecionador Fernando Santos.

Já todos sabemos que, com esta FIFA, dirigida pelo senhor Blatter, tudo pode acontecer. O suíço é presidente desde junho de 1998 e durante todos estes anos já vimos de tudo, desde escândalos de corrupção até ao ridículo da situação por ele provocada, ao chamar "comandante" o Cristiano Ronaldo. Aliás, no que diz respeito a castigos que a FIFA impôs no âmbito do último Mundial, sem dúvida alguma que a mais polémica foi a de Luis Suárez. O uruguaio foi suspenso por nove jogos da seleção uruguaia e quatro meses sem poder alinhar em qualquer competição. Apesar da reincidência, a punição foi muito exagerada e o avançado até disse, recentemente, que a FIFA o tratou como um hooligan. Estou completamente de acordo com ele. Suárez foi tratado como um delinquente e até o defesa que foi vítima da mordidela no ombro, o italiano Chielinni, afirmou que o castigo era excessivo.

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O outro caso que me surpreendeu bastante foi precisamente a suspensão de oito jogos aplicada ao ex-selecionador da Grécia. Quem o conhece, como é o meu caso, sabe que o Fernando Santos sempre foi uma pessoa íntegra, com uma atitude correta e respeitosa. Imagino a sua cara de surpresa e choque quando viu o comunicado da FIFA pela primeira vez. Recebeu esta péssima notícia um mês depois do jogo entre a Grécia e a Costa Rica, para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo. Foi um dia horrível para ele, porque foi expulso e a sua equipa perdeu por penáltis. Quatro semanas depois desta eliminação, recebeu o tal presente da FIFA, suspendendo-o com oito jogos.

O Fernando referiu, naquela altura, que se tratou do caso mais inacreditável da sua carreira, mas podia ter utilizado uma imagem idêntica à do avançado uruguaio: "Estão a tratar-me como um hooligan." Oito jogos de suspensão é algo absurdo para o erro que cometeu.

Tinha muito poucas esperanças que reduzissem o castigo ao Fernando Santos. A FIFA tem uma força imensa em todos os organismos e detesta perder. Por exemplo, no caso do Luis Suárez, o Tribunal Arbitral do Desporto manteve o castigo imposto. Felizmente que, no caso do Fernando Santos, o TAS foi justo e retirou-lhe seis jogos de castigo. Julgo que neste domínio o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, fez um trabalho excelente com o senhor Blatter e companhia, o que se revelou crucial para esta decisão. É muito difícil ver a FIFA perder um caso e, na minha opinião, se o Fernando Santos continuasse como selecionador da Grécia, penso que não haveria justiça e que se iriam manter os oito jogos.

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Portugal joga, hoje à noite, com a Sérvia, no Estádio da Luz, e o selecionador português começa a cumprir o primeiro dos dois jogos que tem de castigo e não vai estar no banco. A resolução do TAS foi maravilhosa, mas podia ter acontecido apenas nas próxima semana e assim o Fernando começava a cumprir o castigo apenas em junho, na Arménia. A Sérvia, pela grande qualidade individual dos seus jogadores, era uma das grandes favoritas a estar no Europeu de França e, apesar dos resultados menos positivos, da saída do selecionador Dick Advocaat e do escândalo no jogo da Albânia, certamente que tudo fará para levar algo positivo do Estádio da Luz, na tentativa de continuar a sua luta pela presença na fase final da competição. Tenho um respeito enorme por esta seleção. A maioria dos seus jogadores atuam em grandes ligas e em grandes equipas, como é o caso de Ivanovic (Chelsea), Kolarov (Manchester City) os ex-benfiquistas Matic (também Chelsea) e Markovic (Liverpool), que, como todos sabemos, pode ganhar um jogo sozinho num lance individual. O desafio desta noite vai ser muito difícil, uma autêntica batalha, pelo que se seria essencial que a Seleção tivesse o seu treinador no banco.

Enquanto jogador, passei por algo parecido. Embora conhecesse as minhas funções e as ideias em termos coletivos, a presença do treinador no banco é crucial nos grandes jogos. Para corrigir, para "apertar" connosco e até mesmo para transmitir tranquilidade. Por isso mesmo, gostaria que o castigo do Fernando Santos começasse com a Arménia e não na batalha desta noite.

Grande caldeirada -- Hooliganismo

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Na partida de sexta-feira à noite, logo aos 15 segundos de jogo, o guarda-redes russo Akinfeev foi atingido por um objeto em chamas vindo da bancada, que o deixou com o corpo queimado. Mais tarde, o jogo foi novamente interrompido também por falta de segurança. Até quando irá a FIFA tolerar esta atitudes de verdadeiro hooliganismo?

Nós lá fora -- Nuno Espírito Santo

Faltam dez jogos para acabar a liga espanhola e o Valencia ultrapassou o meu Atlético. Hoje, está em terceiro lugar a oitos pontos do líder Barcelona e a quatro do segundo, que é o Real Madrid. O trabalho que está a fazer o Nuno neste primeiro ano como treinador da equipa ché é mais do que excelente. Uma verdadeira época de sonho. Parabéns Nuno!

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Do meu álbum -- Sérvia e Croácia

Quando era jogador do Marselha, vivi e assisti a uma história única e maravilhosa, mas também muito cruel. Estávamos em 1993, em plena guerra entre a Sérvia e a Croácia. Tinha dois companheiros com os quais fiz uma grande amizade. Ambos eram uns autênticos fenómenos como futebolistas e também como pessoas. Falo do croata Alen Boksic e do sérvio Dragan Stojkovic. Tinham sido companheiros na seleção jugoslava, eram grandes amigos, mas estavam a viver um autêntico pesadelo: os seus compatriotas, amigos e familiares estavam a matar-se uns aos outros. Aquela guerra sangrenta e de ódio era um caos e, apesar daquele inferno, eles conseguiram manter a amizade. Dois grandes campeões!

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