Mesquita Machado, o até agora presidente da Mesa da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol, renunciou ao cargo. Parece-me bem.
Segundo consta, terça-feira, em conferência de imprensa, o homem que tem tido a capacidade de acumular vários cargos desportivos e políticos ao longo dos tempos (dentro da linha de Valentim Loureiro, por exemplo), vai apontar as razões da sua saída e, segundo ameaça, "dizer uma verdades". Também me parece bem.
À primeira vista, a atitude de Mesquita Machado é louvável. Mas, por mais que tente, não consigo vê-lo como vítima só porque, na defesa dos sagrados valores da verdade, resolveu, agora, vir a público denunciar aquilo que denomina como "vergonhas".
Não tenho dúvidas que o Sporting de Braga foi prejudicado nos dois últimos jogos com Benfica e FC Porto, pelo que entendo o sentimento de revolta de todos os que sofrem pelo clube minhoto. E não necessito de ir visitar os arquivos para encontrar outros duelos em que os bracarenses tenham sido alvo dos erros da arbitragem. Foram-no seguramente. Esta temporada e nas anteriores, como sucede com todos os emblemas, embora seja preciso ter em conta que ninguém é sempre prejudicado. De vez a vez também aparecem umas "ajudas suplementares". Mas, como já referi vezes sem conta, a memória futebolística é muito selectiva. Adiante...
E por falar em memória, não me recordo, de cabeça, de outras situações em que Mesquita Machado, enquanto membro de um órgão federativo, adepto/dirigente do Sp. Braga ou apenas e só como defensor da verdade desportiva tenha "explodido" perante desempenhos arbitrais tão ou mais escandalosos que os recentes. Deve ter-se esquecido ou os seus afazeres na Câmara Municipal de Braga impediram-no de visualizar as imagens polémicas...
Mesquita Machado não fez nenhum favor a ninguém ao renunciar ao cargo. Aliás, acredito que só o fez devido a pressões. É que se não fosse assim podia e devia ter batido com a porta logo após o Benfica-Sp. Braga, quando falou de situações gravíssimas e juntou declarações que, no mínimo, não devem ser produzidas por alguém com cargo tão distinto no futebol.
Espero que a renúncia não lhe permita, contudo, esquivar-se a um processo de averiguações que considero fulcral. Quem falou, entre outras coisas, em estranhas trocas de árbitros à última hora tem de ser obrigado a esclarecer-nos. Caso contrário, será mais um a dizer que sabe disto e daquilo, mas incapaz de apontar culpados. E de pessoal assim, peço desculpa, estamos fartos. Há muito, muito tempo...