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Jorge Jesus vai alterar o sector recuado, com tudo o que isso implica na solidez global. Defender e atacar não são exclusivo de uma parte mas do todo que constitui a equipa – recuperar a bola depende de estratégia e funcionamento coletivo, em obediência às orientações do treinador. Mas para dar eficácia ao processo é imprescindível a contribuição individual, traduzida na qualidade, no compromisso, na inteligência e no acerto das decisões de cada um. Há equipas que defendem mal com defesas de topo (se lhes faltar orientação e coordenação) e outras que o fazem muito bem mesmo sem beneficiarem de grandes talentos (há sectores que agem como se todos os seus elementos fossem um apenas).
Luisão tem consolidado a integração de vários centrais na defesa encarnada – Alcides, Anderson, Ricardo Rocha, Argel, Edcarlos, Sidnei, Miguel Vítor, David Luiz, Jardel e Garay, entre outros. Agora que Sílvio e Cortez são titulares em potência, enquanto Garay parece de abalada para o Man. United, o brasileiro terá importância ainda maior. Estamos assim perante o caso de um jogador que, valendo milhões no mercado, não tem preço para o grupo de que faz parte.
Numa equipa que se refaz época a época, o capitão é o alicerce mais sólido aos valores que as circunstâncias há muito negligenciaram: conhecimento do clube, valorização do passado e identificação com os adeptos. Luisão não pode ser visto apenas como um central de 32 anos, gerador de um potencial grande negócio. É um futebolista raro: o estrangeiro com mais temporadas e jogos de águia ao peito, razão pela qual invadiu território sagrado na história benfiquista – por assiduidade, carisma, liderança e qualidade na função que desempenha. Mesmo sabendo que há propostas irrecusáveis, a Luisão devemos associar o valor de fiel depositário da maioria dos segredos táticos do treinador. Não vai para novo mas ainda denota condições para manter o estatuto dos últimos anos: o de pedra basilar das ideias de Jorge Jesus.