Opinião
Nuno Correia da Silva Administrador não executivo da Sporting SAD

Obrigado Hugo Viana

O Sporting perdeu um grande director desportivo, Hugo Viana. Mas perdeu, sobretudo, um grande senhor. Sem procurar protagonismo, deixou uma marca que ficará registada nas melhores páginas da história do Sporting.

Fez acontecer sem se fazer notar, liderou sem ter de se impor, uniu diferenças sem as eliminar.

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É pouco comum escrever sobre um director desportivo, mas quem vive e sente o Sporting sabe que há um antes e um depois de Hugo Viana. Saber reconhecer é mais importante que saber criticar, criticar é fácil, há sempre erros ou falhas, basta amplificá-las. Mas reconhecer o mérito implica perceber que ele existiu mesmo quando não esteve exposto, quando não foi percetível aos olhares menos atentos.

Reconhecer é, também, registar, é construir exemplos, marcar referências para o futuro. Viana merece este reconhecimento.

Naturalmente, que coincidir com o período de Ruben Amorim ajudou ao bom desempenho, mas também é justo dizer que a inversa também é verdadeira.

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Em 6 anos nunca se ouviu falar de conflitos internos, a notícia sobre o Sporting deixou de ser o que se passava no "balneário", para passar a ser sobre o que se passava em campo.

A principal missão de um líder desportivo, seja o director, o dirigente ou o treinador, é construir equipa. É de todos fazer "UM", fazer um mantendo as diferenças individuais. No Sporting foi conseguido, nos últimos anos foi um exemplo de boas práticas e nesse exemplo está muito trabalho do Hugo.

Pensar que nestes 6 anos não existiram conflitos, confrontos de egos, vaidades ofendidas, é pura ilusão. Existiram, com toda a certeza, mas foram geridos no momento certo, foram mitigados antes de contagiar o grupo, sucumbiram perante a cultura organizacional que se instituiu. Mais uma vez, nessa cultura esteve muito do saber, da arte e do engenho de Hugo Viana.

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Nos anos que estive com administrador da Sporting Sad, quase 7 anos, poucas vezes falei com o director desportivo, não era a minha função. Por isso, este testemunho não é resultado de qualquer proximidade, mas sim de uma avaliação isenta e depreendida, que só pretende ser vir um propósito de justiça, de dizer: Obrigado Hugo Viana.

Por Nuno Correia da Silva
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