Olimpismo de trazer por casa

Os Jogos Olímpicos de Pequim acabaram em Agosto mas, em Portugal, ainda continuam na ordem do dia. Num País em que o tema Jogos Olímpicos só costuma ser abordado de 4 em 4 anos - pouco antes e durante o evento -, a novidade até poderia ser recebida com entusiasmo. Mas, infelizmente, não é nada disso que se passa. Por cá, directa ou indirectamente, o que dirigentes e atletas parecem querer é lavar roupa suja ou, se preferirmos outro adágio, sacudir água do capote.

Já o disse e reafirmo: Vicente Moura não brilhou na Ásia. Falou mal e de forma precipitada quando anunciou ir bater com a porta. E voltou a "descarrilar" quando, animado pelas medalhas de Vanessa e Nelson, mudou de discurso e disponibilizou-se para novo ciclo olímpico.

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Mas, sejamos coerentes, tentar passar a imagem que na China só o Comandante é que esteve mal é injusto. Eu, por não ter estado no local, só posso avaliar o que li, vi e ouvi transmitido por inúmeros camaradas de ofício. E é por isso que digo, sem rodeios, que vários atletas que agora se sentem ofendidos, deviam pensar antes de levantar a voz.

Não duvido que todos os participantes nacionais tenham ido a Pequim dispostos a dar o melhor de si. Aliás, para alguns, só o chegar lá já foi um resultado notável. Mas, de uma vez por todas, há atletas que precisam de perceber o que se exige a quem representa o País num acontecimento tão grandioso. O povo quer brio, empenho, espírito de sacrifício, vontade de superação e dignidade. Depois, face à valia de cada um (e dos opositores), logo se vê se isso dá para chegar às medalhas, para ser finalista ou para ser apenas e só o último classificado. Os três primeiros, é verdade, é que ficam na história, mas quem bate um recorde nacional, por exemplo, também deve ser vitoriado pelo resultado obtido.

Nesta altura, as críticas dos atletas são mais que muitas. Basicamente, pretendem passar a ideia que os membros do COP foram todos de férias à China. Será que foi mesmo assim? Tenho dúvidas. Já em relação ao comportamento menos adequado de alguns atletas, com declarações perfeitamente absurdas, fiquei logo esclarecido no momento.

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Não defendo que Marco Fortes, por exemplo, seja crucificado por ter tido declarações infelizes após um sofrível desempenho desportivo. Mas, objectivamente, será condenável a tal decisão de o enviar para casa quanto antes? Não me parece! Quem estava na China pode não ter tido a noção do impacto negativo desse episódio, mas por cá, a maioria dos portugueses - muitos dos quais contribuiram para que os atletas tivessem a melhor preparação de sempre - estavam indignados com o lançador. E já agora, com ou sem castigo, parece-me que só deveria ser admissível que os atletas que já tenham terminado a sua participação nos Jogos ficassem na Aldeia Olímpica em caso de mérito desportivo. Ou aquilo é mesmo para passar férias?!

No meio de tudo isto, ficam ainda algumas dúvidas no ar:

- Porque demoraram tanto tempo os atletas a reagir?

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- Se estão descontentes com Vicente Moura porque razão não avançam com um candidato à liderança do COP?

- Se as declarações de Marco Fortes são desculpáveis para muitos dos atletas (a maioria...companheiros de modalidade), porque razão não são as de Vicente Moura? Ou as de Vanessa Fernandes que, legitimamente (embora, se calhar, de forma pouco solidária), criticou a atitude de quem passou por Pequim sem lutar pelo melhor resultado possível?

- Caso, no final dos Jogos, a maioria dos atletas ainda presentes em Pequim não fosse da mesma modalidade, alguém se lembraria de equacionar o boicote à Cerimónia de Encerramento?

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- Alguém pensou na imagem de Portugal perante o Mundo se o tal boicote tivesse ido mesmo para a frente?

Mas, enfim, como nem tudo é mau, continuamos a falar de Jogos Olímpicos e, pelo meio, até já deu para ver a salutar união existente entre atletas e federação numa modalidade de topo como o Atletismo. No passado, nem sempre foi assim...

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