Os atípicos FC Porto e Benfica

A sétima ronda da Liga confirmou uma ideia que já vinha de embates anteriores: Benfica e FC Porto estão diferentes, muito diferentes daquilo que estávamos habituados a ver, com claro benefício dos encarnados. A questão, agora, é tentar perceber se estas súbitas alterações são para ficar ou, caso contrário, tendem a desaparecer, de modo a que tudo regresse à “normalidade” dos últimos anos.

Admito, desde já, ser o “novo” FC Porto quem me está a surpreender mais. E pela negativa. Os dragões, pese terem perdido a Supertaça para o Sporting, entraram bem na temporada. A vitória caseira sobre o Belenenses, o empate na Luz (onde a exibição, embora facilitada pelos problemas alheios, podia ter acabado em triunfo) e o sucesso, perante os turcos do Fenerbahçe, no arranque da “Champions”, indiciavam que Jesualdo Ferreira, mesmo perdendo várias unidades fulcrais da época passada (Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma), tinha conseguido, em tempo recorde, construir mais um Porto de qualidade. Puro engano.

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Em poucas semanas, o futebol até então bem estruturado dos nortenhos passou a ser uma verdadeira manta de retalhos, onde quase ninguém sabe o que tem de fazer. Um “vírus” inesperado atacou forte e feio, afectando a maioria dos reforços que, de entrada, até pareciam boas contratações, mas também os outros, os elementos que, indiscutivelmente, todos reconhecemos como jogadores de qualidade acima da média. Quem se lembra, por exemplo, de ver Lucho tão vulgar e Lisandro tão pouco eficiente?

Jesualdo não concorda com a palavra crise, mas é óbvio que os azuis e brancos estão à deriva. Acredito que, se calhar, bastará um triunfo para que tudo normalize, mas de momento existem razões para preocupação. A forma como o treinador, no banco, voltou a consumir cigarros atrás de cigarros... confirma-o.

E já agora gostava de perceber o que terá levado o técnico a tirar a titularidade a Helton. É verdade que a equipa já andava a afrouxar com o brasileiro na baliza, mas desde que Nuno assumiu o posto melhorou alguma coisa? Não me parece!

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Em relação ao Benfica, está a suceder precisamente o contrário. Após um começo de época tremido, a equipa parece estabilizar. E se é possível ver períodos de grande fulgor ofensivo, creio que a característica que melhor define o actual momento das águias é a capacidade de sacrifício. A forma como a equipa conseguiu, nos últimos instantes, escapar ao empate caseiro com a Naval ou como aguentou toda a segunda parte em Guimarães com um homem a menos, reflecte bem o momento que o conjunto atravessa. Independentemente do rendimento futebolístico (que nem sempre é o melhor), creio que na Luz há um crescendo de confiança, coisa que não sentia há uns meses, altura em que a equipa parecia invariavelmente talhada para desaproveitar vantagens nos derradeiros minutos.

Mas, estatisticamente, o que mais me admira nos encarnados é a sua estranha queda para os golos. Marcados... e sofridos. Em 11 partidas oficiais, distribuídas por três competições, o Benfica só não facturou... com o Penafiel! Por mais absurdo que possa parecer, os pupilos de Quique Flores só foram incapazes de marcar diante do adversário mais acessível e no único embate em que jogaram 120 minutos! De resto, tem havido sempre lugar a festejar remates certeiros, independentemente dos nomes dos opositores e do local da contenda.

Mas, talvez por querer impor um sistema bem atacante, Quique tem visto também a equipa sofrer golos em números exagerados. O Sporting foi o único emblema, em 7 jogos da Liga, que não logrou bater Quim. Visto de outra forma: em 11 jogos oficiais, o Benfica encaixou golos em 8. É um dado estranho, é verdade, mas mesmo assim, a equipa está perto da liderança da Liga (e à frente dos principais rivais), superou dura eliminatória com o Nápoles na Taça UEFA e ainda não foi derrotada.

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Uma palavra final para o Sporting. Entre os grandes parece-me ser o único que não está muito diferente do passado. A equipa tem qualidade (mais que na época anterior), mas não pratica sempre o futebol que, em teoria, está ao seu alcance. E a irregularidade ao nível dos resultados também já não surpreende. Ainda assim, os últimos sucessos ajudaram a diminuir a contestação que já se fazia sentir em Alvalade. Resta saber se a senda de vitórias vai continuar na “Champions” (garantindo o histórico acesso aos “oitavos”) e na Taça de Portugal, onde o adversário se chama FC Porto. Se assim for... temos Sporting. Caso contrário... teremos mais barulho e cada vez menos tranquilidade.

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