Opinião
Luís Pedro Sousa Chefe de redação

Os insubstituíveis

1 Ciclicamente, o debate é reaberto. Quando março ou abril surgem no calendário, os principais clubes portugueses vivem, quase invariavelmente, o mesmo dilema: ou aceitam negociar as mais-valias do plantel, garantindo encaixes financeiros extremamente importantes para a sua sobrevivência, mas ficando desportivamente depauperados; ou fazem um esforço para a permanência das pedras-chave, correndo simultaneamente o risco de as manter contrariadas. O passado recente dá-nos, aliás, exemplos suficientemente eloquentes. De João Moutinho a Falcão, de Di María a Fábio Coentrão, de James Rodríguez a Hulk, de Witsel e Garay. Excetuando um ou outro caso nesta última meia década, resolvidos ou apenas mascarados pela competência dos treinadores, FC Porto e Benfica foram ficando claramente enfraquecidos.

Depois de consumada da saída de Danilo, voltam agora a surgir no espaço mediático os casos de Salvio e Gaitán, dois jogadores de qualidade muito acima da média e por quem o mercado de transferências chama há algum tempo. No plano meramente desportivo, o Benfica não tem uma vez mais qualquer hipótese de substituí-los. Oriundos de uma liga periférica, os encarnados (tal como FC Porto ou Sporting) só conseguiriam garantir a mesma competitividade da equipa se recrutassem jogadores aos principais clubes europeus, solução que implicaria um investimento semelhante aos encaixes a efetuar. Com Nuno Santos e Gonçalo Guedes ainda em fase de maturação, a próxima época pode começar em agonia se as águias não resistirem ao terramoto de euros que se avizinha.

PUB

2 Marçal está prestes a ver oficializada a sua contratação por parte do Benfica, depois de ter mantido negociações adiantadas com o Sporting. A consumar-se a transferência, Marçal será tão-só o reforço da pirraça. Admite-se que os leões, na perspetiva da saída de Jefferson, legitimamente interessado em ganhar bom dinheiro na Europa de Leste, ainda pensassem no brasileiro do Nacional como opção a Jonathan Silva. Já os encarnados, com Eliseu e André Almeida no plantel, só pretendem, por certo, desmoralizar o rival e incluir este lateral-esquerdo num futuro empréstimo, no âmbito de outro negócio que pretendam assegurar.

Por Luís Pedro Sousa
Deixe o seu comentário
PUB
PUB