Não, não vou voltar a falar do penálti intuitivo do Lucílio Baptista no Algarve. Esse, como muito bem disse Filipe Soares Franco no seu corrupio televisivo de segunda-feira, já faz parte da história, juntamente com tantos outros que, se calhar, também justificavam tamanha discussão pública e cobertura mediática e acabaram, mais tarde ou mais cedo, por ser esquecidos. Desta vez, quero falar sobre uma grande penalidade cobrada pelo sportinguista (parece ironia, mas não é) Pereirinha no decorrer do Portugal-Cabo Verde, em equipas Sub-21, durante a jornada inaugural do Torneio Internacional da Madeira.
Dizer que o penálti foi desperdiçado não tem qualquer relevância, pois Portugal estava a ganhar por 2-0, a partida caminhava para o seu final e, como tal, o triunfo acabou mesmo por pertencer ao conjunto orientado por Rui Caçador. No entanto, esta penalidade vai ficar na história. Por motivos diferentes da outra que agora está na moda, mas vai.
Para quem não viu, deve ser difícil perceber o que se passou, mas vou tentar... Pereirinha colocou a bola na marca, olhou para o guarda-redes contrário, avançou para o esférico e quando se esperava o remate, o capitão de equipa lembrou-se de dar um pequeno toque para a frente, solicitando a intervenção do companheiro Rui Pedro com quem, antes (num momento que não consigo qualificar), combinara este engenhosa estratégia.
Como se não fosse suficientemente idiota a ideia (regulamentar, é certo, mas perfeitamente absurda), a coisa foi tão bem feita que o tal de Rui Pedro deixou-se antecipar por um defesa africano que, sem cerimónias, atirou para longe.
Foi assim, num momento tão insólito quanto infantil, que dois jovens que, penso eu, devem ambicionar chegar à Seleção principal, conseguiram, para já, garantir um posto relevante entre a galeria dos maiores disparates da história do futebol nacional.
Eu sei que o jogo estava ganho, mas não se pode admitir que alguém, em representação do País, se lembre de uma palhaçada destas. E mesmo que a brincadeira tivesse resultado em golo, convém ter em atenção a tremenda falta de respeito evidenciada perante os adversários. Os protagonistas do lance gostavam que lhes fizessem algo idêntico? Como reagiram se tal acontecesse num jogo com Portugal a perder por mais de um golo de diferença em cima do minuto 90?
Rui Caçador, como lhe competia, apressou-se a pedir desculpas e a garantir que nunca mais um lance destes vai voltar a suceder nas seleções nacionais. Conheço-o há muitos anos e tenho a certeza que assim será mas, para além dessa observação obrigatória, espero que retire a braçadeira de capitão a Pereirinha. Esse será o castigo mínimo para quem já tem a sorte (e o mérito) de alinhar ao mais alto nível mas, provavelmente, ainda pensa que apenas anda "a jogar à bola". E se a sanção passar por ficar a assistir aos restantes jogos do torneio no banco, também não se perde nada...
PS - O castigo declarado por Carlos Queiroz parece-me perfeitamente justo.
(actualizado às 16.11, de 25 de Março de 2009)