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O Jogador da Semana foi o sportinguista Sá Pinto, como anunciado (e justificado) na nossa edição de ontem. Por lapso, Liedson também foi registado na lista com o bónus correspondente à distinção, mas na verdade o avançado brasileiro somou apenas 8 pontos. O erro motivou alguma confusão, natural, entre os concorrentes. Fica aqui o esclarecimento.
Sá Pinto
Temos momentos na vida em que até podíamos jogar à roleta-russa: a bala não iria sair... Foi o que se passou com Sá Pinto, cujo habitual empolgamento se juntou, no jogo com o Rio Ave, a uma eficácia terrível que transformou o Sporting numa máquina de guerra futebolística absolutamente imparável. E se a cena protagonizada pelo remoçado jogador leonino e por Liedson, na disputa pela marcação do penalty, surge como inaceitável em termos de alta competição, a verdade é que a “certeza” de Sá Pinto de que o dia-sim que estava a viver lhe garantia, como garantiu, o remate certeiro, acaba por legitimar a sua teimosia. Face ao seu êxito, que era acima de tudo da equipa, Liedson bem podia ter evitado o amuo.
Mr. Trap
Outra vez o Benfica a lograr as expectativas dos seus apaniguados, que se já não são seis milhões ainda são muitos... Em Braga, os encarnados podiam ter ganho o jogo se... fizessem por isso. É que os arsenalistas também não mereciam perder. De qualquer modo, e muito à conta dos 17 pontos que o FC Porto já perdeu em casa esta temporada, Trapattoni lá segue à cabeça do pelotão, fazendo com que ninguém recorde dois marcos de absoluta negritude: os 4-1 sofridos no Restelo (só o Penafiel é que levou idêntica remessa dos azuis) e a derrota, na Luz, com o Beira-Mar de Luís Campos, que conseguiu assim – logo com o Benfica e no próprio ninho da águia! – o seu único sucesso. Olhe que é obra, Mr. Trap...
Zé Couceiro
Lembrar as lendas dos clubes é uma boa e saudável maneira de manter acesa a chama do entusiasmo dos adeptos. Em Belém, é Antchouet a fazer recordar Matateu (pobre Xuxu, como sai ferido da comparação...), na Luz é Mantorras a “lâmpada” da eternidade de Eusébio (como se pudesse haver outro!), no Dragão inventaram a história do terceiro Zé para vincar mais fortemente a grande aposta naquele que todos os portistas esperam que possa repetir os êxitos de Zé Maria Pedroto e Zé Mourinho. A comparação é idiota, se me dão licença. Não porque Couceiro não possa conseguir excelentes resultados no FCP, mas porque se põe pressão onde é indispensável haver tranquilidade. Não há cá Zés. Se Couceiro vencer, será por si.
João Santos
O Benfica vê desaparecer no espaço de uma semana outro dos seus grandes nomes (págs. centrais). João Santos, um homem sem idade, um espírito sempre dinâmico, um especialista em cultura nutricional, ainda há poucos meses me dirigira uma carta a explicar que – ao contrário do que erradamente se escrevera no Record – as sementes de girassol, os espinafres, as amêndoas e os pimentos são alimentos que ajudam a prevenir o cancro da próstata. Com a reprodução desse texto, presto aqui a minha singela homenagem ao antigo, discreto e eficaz presidente do Benfica.
Mourinho
Sempre pensei que José Mourinho não viria a Lisboa receber das mãos de um primeiro-ministro em gestão e envolvido numa dura campanha eleitoral em que joga o seu futuro político, o Colar de Honra do Mérito Desportivo. O treinador do Chelsea, condecorado nove meses depois de ter levado o FC Porto à conquista da Liga dos Campeões, dispõe já de um estatuto que lhe permite manter a sua imagem afastada da suja paixão política que não respeita nada nem ninguém. Nesta altura, o seu merecido Colar surgiria como um frete, ainda que, em nome do que é e não do que parece, se deva reconhecer que Santana Lopes é dos poucos políticos que compreende que não há espectáculo sem protagonistas. Como é o caso.