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No meio do caos em que o futebol nacional tem vivido nos últimos tempos, não posso deixar de dizer que os dois primeiros embates dos quartos-de-final da Taça de Portugal foram simplesmente brilhantes. Houve golos, grandes jogadas e emoção a rodos. Por outras palavras, os ingredientes fulcrais que contribuiram para a popularidade global da modalidade... estiveram todos presentes e, pelo menos que se saiba, ninguém falou de arbitragem. Já tinha saudades de um dia assim.
Em Paços de Ferreira, duas equipas sem grande peso lograram a proeza de fabricar 8 golos, com a particularidade histórica de 7 terem sido rubricados nos primeiros 45 minutos. Quando terá acontecido isto em Portugal, num jogo da liga principal ou na Taça mas envolvendo formações de primeiro plano? Provavelmente, só nos anos em que se percebia facilmente quem eram os clubes grandes e pequenos. E mesmo aí...
Nem a chuva, nem as péssimas condições do relvado, impediram que Paços e Naval tivessem rubricado uma grande eliminatória. E até deu para ver golos de fino recorte técnico. Um regalo para a vista que, infelizmente, não teve honras de transmissão televisiva e que começou às 15 horas, num dia de semana!
Mas, depois, no Dragão, o FC Porto-Leixões não ficou atrás. É verdade que só houve um golo, mas num registo diferente não tenham dúvidas que se assistiu a um dos grandes duelos internos da temporada. Os dragões ganharam porque foram mais felizes e porque, indiscutivelmente, possuem mais e melhores soluções, habituadas à alta-roda. Mas, diga-se em abono da verdade, o Leixões foi um gigante, não tendo medo, logo a partir dos 5 minutos (altura do golo solitário), de ir para a frente à procura de um desfecho positivo.
Pode parecer exagero, mas os matosinhenses não jogaram menos do que quando, no mesmo local, vergaram os azuis e brancos em jogo da Liga. Mesmo já sem Wesley (transferido para a Roménia) e com Braga na bancada, o Leixões fez aquilo que não se vê todos os dias: colocar o FC Porto em sentido no seu próprio terreno.
Com uma garra de fazer inveja a muito boa gente, os comandados de José Mota encararam a partida como uma autêntica final. E nunca se preocuparam com a possibilidade (real) de o seu adiantamento no terreno poder facilitar a tarefa dos adversários. É verdade que, no futebol, quem não sofrer golos... nunca perde, mas também é certo que, quem não marcar, jamais poderá ganhar, a menos que isso suceda nos penáltis. Contudo, tendo em conta que o FC Porto marcou logo de entrada, o Leixões nem pensou nisso. E ainda bem. Ganhou o jogo, ganhámos nós que o vimos.
Após tantos dias em que o futebol foi mal tratado por uma série de pessoas que, mais do que gostar do desporto, querem é agradar a quem lhes paga, correndo o risco de dizer disparates uns atrás dos outros, sabe bem dizer que em Portugal ainda há futebol a sério!
Com jogos como os desta quarta-feira, com qualidade e sem polémica, o público só pode voltar a acreditar nesta indústria. O problema é que, provavelmente, este dia foi apenas uma aberta numa tempestade que tarda em desaparecer...
PS - Tal como havia previsto, a conferência de imprensa de Mesquita Machado serviu para o senhor voltar a dizer que isto está tudo mal, que é uma vergonha, etc, etc. Quanto a nomes, a situações reais... é melhor esperar. Sentados... digo eu! Como gostava que acertar na chave do Euromilhões fosse assim tão fácil!