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Pode parecer estranho, até porque hoje não foi dia de jogo para as águias, mas tenho para mim que Fernando Santos acaba de conseguir a sua primeira vitória (os particulares na Suíça e o embate de apresentação com o Bordéus não entram nestas contas...) ao serviço do clube da Luz.
Pressionado pelas derrotas com Sion, Sporting e Deportivo, o técnico benfiquista deixou-se de experiências e ideias discutíveis quando foi chamado a elaborar a lista de convocados para o desafio de terça-feira, na Grécia, perante o AEK de Atenas.
Na última afinação "a sério" antes do fulcral duelo com o Austria Viena de acesso à Liga dos Campeões, o treinador vai fazer jogar os futebolistas que serão as apostas essenciais para a temporada 2006/07.
Na luta pela baliza, já se percebeu que Moreira e Quim estão a discutir a "pole position". Quanto a Moretto... parece ter-se perdido numa qualquer curva... no Algarve. O último deslize do brasileiro (mais um para uma lista bem preenchida) trouxe à evidência o que já se sabia: os dois portugueses podem não ser tão espectaculares; seguramente não apresentam a mesma estampa física, mas oferecem mais segurança. E a um guarda-redes, para além não sofrer golos, pede-se isso mesmo.
O sector defensivo é o mais pacífico. Luisão é intocável a liderar o sector da mesma forma que Léo tem a lateral esquerda assegurada. Sobra o corredor direito para Nélson (que também pode alinhar no lado contrário) ou Alcides (é igualmente opção para o centro) e a vaga ao lado de Luisão, com Anderson e Ricardo Rocha em luta, aparentemente com o brasileiro em vantagem. Neste quadro, Fonte deverá sair.
No meio-campo, onde "mora" o losango que não tem funcionado, Rui Costa, Petit e Katsouranis são titulares certos. O "maestro" joga mais adiantado, faltando perceber se é o português ou o grego quem estará mais atrás. Sobra uma posição que, pelos vistos, deverá ser discutida por Karagounis, Diego (dispensá-lo seria, para mim, um erro, até porque se trata de um jovem com margem de progressão) e Nuno Assis.
No ataque, pese a ausência forçada de Miccoli (a contas com a primeira lesão da época...), o assunto também parece clarificado. Nuno Gomes vai estar no onze, tendo ao seu lado, muito provavelmente, o mexicano Fonseca. Mais do que não seja porque é preciso ver em acção o novo recruta. O "guerreiro" Mantorras (limitado, mas capaz de assinar milagres) e o veloz Manu (com um esquema táctico que não o favorece, vai justificando a vaga com empenho) são as outras opções.
Feitas as contas, Fernando Santos deixou em casa Moretto, Fonte, Beto, Manduca, Marco Ferreira, Karyaka e Marcel. E tenho para mim que, caso Miccoli estivesse apto, seria Paulo Jorge quem perderia a vaga na viagem.
Por outras palavras, depois de tanta hesitação, Fernando Santos fez as escolhas óbvias, aquelas que milhares de adeptos - através das mensagens chegadas ao Record Internet - exigiam. Os "mal amados", os que teimam em não acertar e em desaproveitar as oportunidades, já estão a perder "o comboio" ou, mais fielmente, o avião...
Agora, resta saber se o modelo táctico de Santos sempre vai vingar. Mas isso, tal como a "novela Simão" (não pode jogar a pré-eliminatória e a saída parece irreversível, até porque o Valencia promete "voltar à carga"), são assuntos para outras conversas. Para já, o engenheiro pode descansar um pouco. É que mesmo que o Benfica regresse derrotado de Atenas, os adeptos não vão poder dizer que as escolhas não fazem sentido...