Quaresma e a oportunidade de ouro

Não estava à espera que o Inter cedesse Ricardo Quaresma no último dia do mercado de inverno. Mas, tendo em conta o péssimo desempenho do internacional luso em Itália (adeptos e imprensa não hesitam em considerá-lo um verdadeiro fiasco), assim como a necessidade do Chelsea em encontar um extremo criativo que lhe permita continuar a sonhar com a conquista do título inglês (coisa que, aliás, penso não ir acontecer) ... a cedência temporária até se entende.

Mas, sejamos realistas, esta posição do clube milanês é um autêntico cartão amarelo para Quaresma. Depois de gastar uma verba considerável há poucos meses, o clube (e o treinador) assume que o futebolista não está em condições de responder ao desafio. E isso, para quem sendo novo já não é assim tão jovem e tem no currículo uma experiência falhada em Barcelona, é péssimo.

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Considero Quaresma, sem dúvida, um jogador de eleição. O que ele fez, vezes sem conta, ao serviço do Sporting e principalmente no FC Porto não é obra do acaso. Nem está ao alcance de todos, apenas dos predestinados. Mas, as grandes figuras do desporto precisam de render nos maiores palcos, nos grandes duelos e, perante a surpresa de muitos (onde me incluo), Quaresma não brilhou em Espanha, nunca ganhou um espaço fixo na Selecção e, agora, passou por "barrete" em Itália.

A aventura inglesa pode ser a última oportunidade dourada para este tecnicista vingar, em definitivo, na Europa. O futebol britânico, constantemete virado para o ataque, parece-me o ideal para quem necessita de espaço para mostrar todo o seu vasto arsenal de fintas e passes. Mas, Quaresma, rapidamente, tem de perceber que o Chelsea é uma equipa recheada de bons jogadores, que Scolari não hesitará em deixá-lo de lado se não corresponder (a exemplo do que sucedeu várias vezes na Selecção), que a "Premier League" não é uma prova qualquer e que não irá passar a vida a ter chances como esta para provar que é mesmo um jogador acima da média.

Gostei de ver Quaresma, no Porto, desafiar os adeptos que o assobiavam quando jogava mal. Com um discurso pouco visto entre nós, o cigano garantia que, nos momentos da verdade, estaria presente e seria capaz de ajudar a fazer a diferença. Não se enganou. Mas, agora, para não ficar "queimado" a nível internacional, precisa de repetir a dose. Tudo depende de si.

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PS - Ao invés do que se passa com Quaresma, nunca vi Miguel Veloso como um futebolista com potencial para brilhar nos grandes emblemas europeus. Sei que esta opinião não é compartilhada por muitos mas, pelos vistos, não sou o único a pensar assim. Segundo o Sporting, o Bolton foi a única equipa a apresentar propostas concretas para levar o jogador. Embora seja óbvio que a sua intenção é sair, quanto antes, de Alvalade (a falta injustificada ao treino de segunda-feira comprova-o... mais uma vez), continuo sem perceber por que razão Veloso prefere um clube de meio da tabela em Inglaterra a um de topo em Portugal. É só um aumento significativo de ordenado que o atrai?

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