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Que se lixem!

Que se lixem!

José Mourinho escreveu uma carta sobre a Seleção Nacional notável. É a convocatória de um país inteiro para um desígnio nacional, a mobilização dos jogadores para um bem superior, a unificação em torno da Seleção. A carta só tem um problema: foi escrita pela pessoa errada.

Paulo Bento entra ainda débil numa Seleção que está órfã desde Scolari. Nunca é fácil suceder a líderes carismáticos, seja no futebol, nas empresas ou na política – e Carlos Queiroz falhou. Depois do rocambolesco convite que nem chegou a sê-lo de Madaíl a Mourinho, Paulo Bento ficou como segunda escolha, o que o menoriza. A carta de Mourinho agrava essa intendência. Porque a Seleção que joga (que é muito mais importante que a Federação que a gere) precisa de um líder – e o líder só pode ser o selecionador.

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As palavras magníficas de Mourinho à Associação Nacional de Treinadores de Futebol, que inevitavelmente se transformaram numa carta aberta ao país, deviam ter sido ditas no balneário por Paulo Bento aos jogadores. Com esta carta, cujas boas intenções são inquestionáveis, Mourinho fica como padrinho e Paulo Bento como afilhado. É pouco: a liderança não se delega.

Se Durão escrevesse pelo PSD, Constâncio pelo Banco de Portugal ou Horta Osório pelo Santander Portugal, o poder de Passos Coelho, Carlos Costa e Nuno Amado ficaria constrangido pela figura tutelar. Aliás: Mourinho jamais deixaria que alguém falasse por ele.

Os casos de Scolari e de Tomaz Morais nas seleções mostram a importância da motivação de equipas na representação de um País e do envolvimento dos portugueses nesse esforço, criando um orgulho nacional que leva à aclamação. Com a sua carta, Mourinho foi um excelente líder da equipa que não lidera. Mas, como diz, os críticos que se lixem.

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