Após a primeira jogada de perigo do Benfica-Sporting, com Djaló a desperdiçar excelente ocasião para marcar logo aos 48 segundos, pensei que Quique Flores estava a pôr-se a jeito para, cerca de 2 horas depois, ser crucificado por tudo e todos. Manter a mesma equipa que tantos calafrios passara em Paços de Ferreira; acreditar na eficiência de uma dupla de centrais formada por dois miúdos que, em condições normais, não seriam titulares; voltar a preferir Jorge Ribeiro a Léo; “esquecer-se” de Katsouranis no banco quando Yebda, sozinho, não pode fazer todo o trabalho defensivo no meio-campo ou preferir o jogo mais seguro e regular de Ruben Amorim e Carlos Martins à técnica e criatividade de Di Maria ou Aimar... pareciam risco a mais para quem, face aos resultados anteriores, não podia perder e sabia que o empate também não ajudava muito.
Mas, a verdade é que mesmo com a defesa “a descoberto” em diversas situações (os “sprinters” leoninos ganhavam sempre vantagem sem bola), o Benfica conseguiu cumprir os primeiros 45 minutos sem sofrer golos.
Mas ao intervalo, sem considerar o empate injusto, continuava a pensar que Paulo Bento tinha todas as condições para, mais uma vez, sair tranquilo (e sem ser derrotado) da Luz. Só que a entrada de Katsouranis mexeu com o jogo. O grego, na sua verdadeira zona de acção, foi decisivo para o Benfica “pegar” no encontro. A partir daí, os leões deixaram de ser uma ameaça real para Quim. Só não percebi se tal se deveu apenas à alteração protagonizada por Quique ou antes à estranha dificuldade do Sporting em assumir o jogo (até pareceu que tinham instruções para não atacar). Acredito que foi um pouco de ambas...
A entrada de Aimar, mais tarde, ajudou a desequilibrar, em definitivo, a balança a favor do Benfica, contribuindo para reforçar uma ideia que já tinha antes do dérbi: o Sporting é um grupo sólido e coeso - mesmo tendo ficado longe daquilo que pode fazer na Luz - mas são os encarnados que possuem nas suas fileiras mais artistas, maior número de jogadores capazes de, num momento de genialidade, tornar fácil o que parece difícil. Reyes fez questão de o demonstrar e a partida “acabou” para os forasteiros.
O Campeonato ainda só está no arranque mas, ao contrário do que as primeiras jornadas indiciavam, o Benfica está na luta com FC Porto e Sporting. Na teoria e na prática, conforme prova a pauta classificativa. E se Quique conseguir juntar as suas estrelas de modo a formar um bloco consistente, as águias podem ficar consideravelmente mais fortes. Para já, afastaram o cenário da crise e ganharam tempo para “respirar”. Caso a jornada europeia corra de feição, o técnico espanhol fechará em alta um pequeno ciclo que podia ser grande... dor de cabeça.
PS – Desta vez, o Benfica marcou golos sem dois verdadeiros “pontas-de-lança” em campo. É um facto. Pouco visto nos tempos mais recentes, mas verdadeiro. Ainda assim, pese o sucesso recente, continuo a pensar que Nuno Gomes e outro dianteiro (Suazo ou Cardozo) é a melhor opção para Quique formar o ataque das águias. Mas, já se sabe, pelo menos na quinta-feira, com o Nápoles, não vai ser assim. Só o capitão estará disponível.
PS 1 – O regresso de Liedson é uma óptima notícia para os leões e para todos os que gostam de futebol. O brasileiro não vai tardar a mostrar a sua utilidade. Complicado será gerir os minutos entre os jogadores mais ofensivos da equipa. E correndo o risco de me enganar, creio que será Derlei o mais afectado entre aqueles que têm actuado com regularidade. Postiga e Djaló parecem em melhor momento. E para além disso, a avaliar pelas declarações recentes, o ex-FC Porto e Benfica será incapaz de levantar ondas se só jogar uns minutinhos...