O primeiro clássico da Liga acabou empatado. E em condições normais, tal desfecho deveria ser mais simpático para o FC Porto que actuou fora e vinha de uma vitória na estreia. No entanto, face ao que se passou na Luz, foi o Benfica quem conseguiu um resultado satisfatório. Os dragões podiam e deviam ter feito mais na última meia-hora. Porque tinham superioridade numérica, mas também porque dos 10 encarnados que terminaram a partida pelo menos três quase não se mexiam. Logo, o empate foi escassa colheita para os campeões que, pese terem acabado com Rodríguez, Lisandro, Hulk e Candeias na frente, foram mais fortes e eficientes antes da expulsão de Katsouranis. Por mais estranho que pareça, por vezes é mesmo mais fácil jogar contra 11...
Estamos ainda na segunda jornada da Liga. É cedo para tirar conclusões. Mas, em relação a estes dois emblemas os indícios da ronda inaugural confirmaram-se. O Benfica possui grandes valores individuais – para além dos nomes sonantes, Yebda e Carlos Martins parecem em condições de ganhar o seu espaço -, mas é indiscutível que o FC Porto tem, pelo menos por agora, muito mais equipa. Independentemente das saídas consumadas de Bosingwa e Paulo Assunção e da oficiosa de Quaresma, os portistas continuam um bloco coeso. E isso vê-se na forma como Rolando, Fernando, Tomás Costa, Sapunaru, Rodríguez, Hulk, Guarín e Candeias encaixam na equipa. Nem parecem recém-chegados.
Mas, regressemos ao Benfica para abordar algumas opções de Quique Flores:
Cardozo voltou a começar sozinho no centro do ataque. Bom, não foi bem sozinho. Aimar foi aparecendo por lá. Mas, convenhamos, será que alguém espera ver o argentino a aproveitar os cruzamento dos extremos? Por muito que Quique conheça o sul-americano, é óbvio que este não é, nem nunca será, a solução ideal para emparelhar com Cardozo ou outro dianteiro. Aimar é criativo e abre espaços vindo de trás. Não foi para substituir Rui Costa que foi contratado?
Mas, nisto das tácticas, é tudo subjectivo. Os números é que não. E eles dizem-nos que, em 180 minutos de Liga, as águias jogaram 120 só com um verdadeiro avançado, não conseguindo “facturar”. Com Nuno Gomes ao lado de Cardozo, em apenas 60’, surgiram 2 golos. Pode ser apenas coincidência? Pode... mas não me parece! Pelo contrário, fico com a ideia de que Quique, tal como sucedeu com o compatriota Camacho, dificilmente abdicará desta ideia. A menos, claro, que o “placard” assim o exija.
Mesmo sabendo que o mercado ainda está aberto mais umas horas, tenho dificuldade em perceber também o porque do Benfica ter dispensado Luís Filipe e vendido Nelson para agora ter apenas um lateral-direito improvisado. Maxi Pereira até deu boa conta do recado perante Rodríguez, mas a equipa vai aguentar quanto tempo esta situação?
E Jorge Ribeiro, que na esquerda pode fazer todo o corredor, voltou a ficar de fora deixando Léo sem “cobertura”? Ruben Amorim também aguentou “o barco”, mas faz sentido correr estes riscos?
E ainda há a adaptação (da autoria de outros) de Katsouranis. O grego, com o FC Porto, falhou como central. Cometeu um penálti escusado e protagonizou expulsão infantil logo após o empate. Só não percebi se é a ligação com Luisão que está pouco oleada se é a cabeça do helénico que continua “a viajar” longe de Portugal.
Mas, mais incrível foi ver a forma nada profissional como o banco encarnado não viu determinadas situações de jogo, reagindo mal e tarde. Tirar Cardozo (segunda alteração) com Léo aos gritos a dizer que não podia continuar é surreal. A desatenção obrigou a “queimar” a derradeira troca instantes depois. Nos últimos minutos, Yebda, Reyes e Di Maria tiveram de se sacrificar devido ao facto de no banco estar muita gente a dormir.
Aliás, o Benfica podia ter perdido o jogo aos 49 minutos, noutra tardia reacção de Quique, adjuntos e médico. Na ocasião, Aimar lesionara-se e de imediato pediu substituição. Só que a entrada de Nuno Gomes tardou. Muito. Um erro crasso até porque Yebda estava a ser assistido em frente ao banco. Os dragões atacaram contra 9 e Lisandro quase fez o 2-0.
Em suma, na Luz, há que trabalhar muito dentro e fora do campo. E, para não variar, convém descobrir o que origina tantas lesões. Será só infelicidade? De que serve poupar os titulares durante alguns treinos, fazer avaliações físicas a meio da semana ou ir de manhã para o Estádio em dia de jogo se, depois, quase todos os elementos acabam lesionados ou “de gatas”?