O "making of" da mudança de Maxi Pereira para o FC Porto ajudam a perceber uma nova ordem geoestratégica no futebol português, já antes vista nas guerrilhas pelo poder na Liga e até em recentes declarações de Luís Filipe Vieira, que confirmou uma aproximação a Pinto da Costa em nome de um interesse comum.
Noutros tempos, a mudança do subcapitão do Benfica para o maior rival desportivo dos últimos 35 anos seria motivo para desenterrar de vez o machado de guerra e, se possível, para retaliação da parte dos encarnados. Seria uma oportunidade para os dragões "gozarem o prato", com declarações provocatórias - de preferência, e para aumentar os requintes de malvadez, até do próprio jogador. E seria certo que Maxi ficaria com o número 70, numa alusão à goleada sofrida pelo Benfica em Vigo, ou 50, numa referência a um mais recente triunfo dos dragões sobre o rival.
O certo é que nada disto se passou e - tanto na saída da Luz como na chegada ao Dragão - tudo foi feito de uma forma tão discreta como se fosse apenas mais um. E Maxi Pereira está longe de ser isso, apenas mais um. Aliás, o uruguaio nem sequer passou pela cidade do Porto, onde poderia ser exibido como um troféu, e seguiu diretamente para estágio numa perdida localidade holandesa, prestando declarações de circunstância ao canal oficial do clube.
Esta transferência, que parece não causar muita preocupação no Benfica nem muita euforia no FC Porto, mostra que os dois rivais estão numa fase de tréguas institucionais, apesar das diferenças na posição sobre o sorteio dos árbitros (uma procissão que ainda vai no adro...). É também uma consequência do aparecimento de um "inimigo" comum a ambos - Bruno de Carvalho - mas ninguém pode garantir que esta paz dure muito tempo.
Por Sérgio Krithinas