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Sá Pinto merece que o Sporting lhe prepare uma festa de despedida. Nove temporadas em Alvalade e um amor ao clube que ninguém se atreve a contestar exigem que assim seja. Sá mostrou sempre a raça do leão, a fibra de um campeão, que com muitos azares pelo meio (e sofrimento) nunca se vergou.
Vibrou como poucos,quando veio a Lisboa a meio de um novo processo de recuperação a uma operação ao joelho direito para festejar o título de 2002. No coração dos adeptos desde o dia em que chegou acompanhado por Pedrosa, ganhou a cada momento o respeito dos companheiros, adeptos e dirigentes.
Num clube como o Sporting é importante que as direcções não deixem cair os símbolos. O erro da última época não podia repetir-se. O capitão Pedro Barbosa deixou o Sporting a chorar, de tristeza pelo adeus ao clube de coração, e por sentir que a quem tanto deu lhe faltou ao respeito. Agora a história não vai repetir-se.
O mal de Sá Pinto foi ter agido sempre mais com o coração do que com a razão. Deve ter sido difícil viver com aquele momento infeliz de 26 de Março de 1997, quando agrediu o seleccionador Artur Jorge. Teria sido melhor se tivesse conseguido controlar essa impulsividade. Acaba a carreira como não queria: sem o título e suspenso dois jogos, que não me parecem discutíveis (o comportamento da equipa de arbitragem merece a condenação, mas a leitura da atitude de Sá Pinto não foge à realidade), mas com uma certeza: a instituição Sporting e os adeptos vão saber prestar-lhe a homenagem devida.