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Não quero com esta publicação fazer juízos de valor, nem cair no moralismo católico ou ética protestante, pretendo apenas acrescentar algumas perspetivas de análise que nos ajudarão a compreender a complexidade da situação.
Segundo o estudo de 2025, a marca CR7 vale quase mil milhões de euros. É, objetivamente, uma das marcas pessoais mais valiosas do mundo. Entre 2020 e 2025 cresceu mais de 325%. Cristiano Ronaldo é a pessoa mais seguida do mundo nas redes sociais, só no Instagram tem 628 milhões de seguidores.
O seu Impacto mediático anual é verdadeiramente impressionante: 22,3 milhões de notícias publicadas por ano; 187 milhões de pesquisas anuais no Google; mencionado em cerca de 4.000 livros disponíveis na Amazon e citado em 63.000 artigos científicos. A marca CR7 já está presente em várias áreas de negócio como a hotelaria, a moda, os perfumes, os ginásios, a saúde, as clínicas capilares, a produção de conteúdos digitais, os investimentos imobiliários, a tecnologia e a comunicação social.
Na verdade, Cristiano Ronaldo não é apenas um futebolista. É também uma plataforma global de negócios, uma fábrica cujo valor económico está muito para além do seu desempenho dentro de campo. A sua presença em campo representa, consequentemente, um enorme ativo comercial para a FPF, patrocinadores, competições e transmissões televisivas.
Neste contexto de análise é inevitável que, quando se trata de um atleta da dimensão de Cristiano Ronaldo, as decisões nunca são apenas desportivas. A sua presença influencia audiências, receitas, atenção mediática e até o ambiente competitivo. É difícil encontrar outro jogador na história da seleção, cuja ausência do onze inicial tenha um impacto tão grande fora das quatro linhas.
Cristiano Ronaldo tornou-se, na prática, num ecossistema económico que gera riqueza, cria emprego, atrai investimento, mobiliza milhões de consumidores e acrescenta valor às organizações a que está associado.
Cristiano Ronaldo é, no fundo, uma multinacional, uma gigantesca fábrica. Como se fecha uma empresa desta dimensão? Qual é o plano de desativação industrial adequado para uma unidade deste volume? Como se processa, do ponto de vista legal e organizacional, o encerramento de uma empresa desta envergadura? Como é acautelada, do ponto de vista jurídico e laboral, a situação dos recursos humanos afetos a uma empresa desta dimensão?
São estas as perguntas que vos deixo. Porque de futebol tenho conhecimentos apenas razoáveis.