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Aproxima-se o fim da época desportiva e cada vez parece mais próxima a revalidação do título por parte do Benfica. Há naturalmente sectores afectos ao FC Porto com uma ténue esperança de que Jorge Jesus ainda vai voltar a ajoelhar, mas com três jogos pela frente, dois dos quais em casa (Penafiel, hoje; Marítimo, na última jornada) e um fora de portas (V. Guimarães), mesmo nos sectores azuis e brancos a luz dessa ténue esperança começa a apagar-se. Se o FC Porto ganhar todos os jogos, o Benfica ainda pode perder uma das três "finais" e continuar a depender de si próprio para conquistar o (histórico) bicampeonato.
Não causa surpresa, portanto, que as principais atenções já estejam viradas para a próxima época e para aquilo que as movimentações das últimas semanas indiciam, no que diz respeito à (re)definição dos projectos, dos plantéis e das equipas técnicas.
O caso mais palpitante e que pode suscitar maiores alterações em relação às últimas temporadas é aquele que envolve o Benfica e Jorge Jesus. Em primeiro lugar, porque se trata de um treinador que está há seis anos no futebol do Benfica, coisa rara no futebol português. Seis anos que não se resumiram a uma mera gestão de "navegação à vista"; foram seis anos de uma intervenção profunda ao nível dos "caboucos" que sustentam o edifício do futebol benfiquista. Para trás, nos últimos anos, e porventura temos de recuar aos tempos de Eriksson, nunca um treinador havia conseguido colocar a equipa do Benfica a jogar com uma identidade, um perfil, uma lógica, uma dinâmica. Muitas vezes, nestes seis anos, com brilho intenso; outras vezes com menor brilho, é verdade. Mas sempre com coerência e debaixo de uma indiscutível construção exegética, que resulta na adaptação aos tempos de hoje de um conceito de "futebol total" descoberto noutros tempos, principalmente pelos "mestres da táctica" do futebol holandês.
Em segundo lugar porque, se é verdade que Jorge Jesus deve ao Benfica e a Luís Filipe Vieira a eliminação e o silenciamento de todos os focos de perturbação que chegaram a rodear, como ameaças de morte (desportiva), o técnico dos encarnados, não deixa de ser menos real que Jorge Jesus soube adaptar-se às múltiplas situações de reforço e esvaziamento do plantel.
Ninguém no futebol português reage ao momento da perda de bola como o Benfica faz, envolvendo todos os jogadores. Nunca desprezando a qualidade individual dos jogadores, é isso que marca a diferença entre grandes e médias equipas. O Benfica é único no estabelecimento do contraste numa competição em que a maior parte das equipas joga com um bloco baixo e a um ritmo também baixo, e isso obriga a uma pressão permanente do treinador em relação aos jogadores. É isto que está em causa no futuro próximo do Benfica: manter ou não o padrão (de exigência) que Jesus conseguiu enraizar no futebol dos encarnados.
Bem sei que Luís Filipe Vieira quer um Benfica mais português e mais "seixalizado", não apenas por causa da imagem mas também por causa da redução de custos e da rentabilização do investimento feito no Seixal. É legítimo. Mas também é legítimo perguntar se não foi através do "padrão Jesus", com o mérito de arrastar positivamente Vieira, que o Benfica conseguiu contestar a hegemonia do FC Porto, até aí rei e senhor do futebol português?
Num tempo de "downsizing" geral - não há condições para mais engenharias financeiras -, talvez a ambição de Jorge Jesus já não caiba no Benfica. O Benfica não acaba por isso e pode até, nesse ambiente de "downsizing", aproveitar-se da previsível "descapitalização" do seu principal adversário. Mas deve preparar-se para o impacto de uma eventual saída, mesmo que tenha no horizonte possíveis substitutos como Nuno Espírito Santo, Rui Vitória, Marco Silva ou a alternativa que Jorge Mendes indicar...
NOTA - A ERC informou "A Bola" do dever de publicar o meu direito de resposta a um "artigo de opinião" do colunista José Eduardo e que me foi, num primeiro momento, recusado, contra todas as regras subjacentes à liberdade de expressão e à Lei de Imprensa. Calculo que, na Queimada, vão querer transformar (para eles) o vexame da publicação numa "grande vitória", pelo facto de a ERC ter recomendado uma ligeira alteração do texto original, "embora [esse texto] revele equilíbrio e igualdade de armas quanto aos termos que utilizou". A ERC é muito clara quando diz na sua deliberação que [no texto original] "não se encontram expressões que envolvam ou assumam relevância penal". Doze anos volvidos fica clara a razão pela qual saí, mas sobre isso revelarei pormenores noutra sede. E digo isto não contra "A Bola", mas a favor da "Bola" que uns construíram para outros destruírem.
JARDIM DAS ESTRELAS - *****
Quanto dura a hora de Messi?
A exibição de Messi frente ao Bayern Munique colocou, de novo, o argentino nas bocas do Mundo. Os dois golos marcados aos bávaros, mas fundamentalmente a execução no lance que ditou o segundo, corresponde a uma obra-prima. Como é normal nestas circunstâncias, e absolutamente justo, acrescente-se, os elogios choveram como pepitas de granizo em dia de temporal. Se havia dúvidas - disseram e escreveram -, aí está a razão pela qual Messi é o melhor do universo. As últimas imagens são as que ficam e, por isso, preparem-se que a "resposta" de Cristiano Ronaldo não vai demorar muito. E, nesse momento, com os mesmos argumentos, invertem-se os protagonistas. É uma questão de horas, dias ou semanas. Entre dois jogos, o "melhor do Mundo" pode ser um ou outro. É o que vale ter dois excelentíssimos jogadores, contemporâneos, nos campos de futebol, num patamar que, por ora, mais nenhum consegue alcançar. São dois jogadores de uma qualidade ímpar, capazes de serem, em repetição, o argumento-extra que emerge quando os mecanismos de cada "máquina" se revelam perto da perfeição. Por isso, no futebol, as equipas e o colectivo são, no seu aperfeiçoamento, o grande objectivo dos "mestres-de-obras-treinadores", mas são os talentos individuais que, em cada momento, ditam as leis. E aí resume-se quase tudo a uma questão de vocação.