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As declarações de Luís Filipe Vieira, numa animada conversa na Benfica TV, não adivinha nada de bom no Benfica para os próximos tempos. Ontem, Vieira elegeu o principal inimigo do momento. Não é Pinto da Costa, não é um sistema sempre inclinado para o FC Porto, não é sequer o seu recente adversário nas eleições, que aliás tratou com bonomia. Não. O principal inimigo de Vieira é interno.
O único nome que o presidente do Benfica avançou foi o de José Veiga. Mas do tom dominante das suas palavras fica a sensação de que José Veiga é apenas a ponta de um icebergue cravado na grande nau encarnada. Por isso, o comandante supremo do clube apareceu acossado. É certo que uma primeira derrota depois das traumatizantes sofridas no final da época passada não deixa qualquer conforto a um homem com perfil de empresário, que acaba de renovar contrato com um treinador por mais duas épocas. Com um salário de liga inglesa, Jesus encaixa mais sozinho do que os restantes 15 colegas do campeonato português. Uma inexplicável irracionalidade.
Aí, no que à renovação de Jesus concerne, Vieira escudou-se no coletivo. Segundo o líder do Benfica, a decisão foi colegial e unânime. Porém, a alguns dirigentes com elevado peso ainda não se ouviu palavra sobre este tema.
No Benfica atual, Vieira é um líder seguro após um trajeto de mais de uma década que devolveu ao Benfica a imagem de grande clube internacional. Vieira é um homem experimentado e inteligente. Sabe que um prolongado mau arranque de época compromete desportiva e financeiramente o seu projeto. Pode mesmo comprometer o ambiente necessário à sua continuidade, pois será para ele que os adeptos se vão virar quando os jogadores de Jesus não acertarem com a baliza. Por isso Vieira apareceu neste diálogo em casa sempre à defesa. E quando a melhor defesa foi o ataque, só o nome de José Veiga saiu no meio de uma série de subentendidos.
Na atual conjuntura, Vieira deve testar a coesão da sua equipa dirigente, instando os que partilharam a tal decisão de manter Jesus a assumirem publicamente a defesa da continuidade do técnico. Por vezes o silêncio é a maior traição.