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Travão aos erros

Travão aos erros

1 - Pedro Proença anunciou ontem o fim da carreira. Por tudo o que conquistou a nível internacional, com a presença em finais das mais importantes competições mundiais, o árbitro português merece o devido reconhecimento por um trajeto que só está ao alcance de alguns. Foi um dos melhores juízes nacionais e esse é um mérito que ninguém lhe retira. Dentro de portas, nem sempre recebeu o apreço de alguns responsáveis, muito devido à independência e frontalidade acerca de questões pertinentes na arbitragem. Mas lá fora, Pedro Proença levou o prestígio de Portugal mais longe e é uma figura bem acolhida nos corredores da UEFA e da FIFA. Acredito que o seu futuro continue a passar pela arbitragem e que venha a dar um contributo que faça realmente a diferença.

2 - A despedida de Pedro Proença surge numa altura em que o setor da arbitragem em Portugal vive um clima de autêntica instabilidade e balbúrdia. Com erros graves a sucederem-se jornada após jornada e todas as semanas a surgirem nomeações de juízes pouco compreensíveis para determinados jogos, e perante a inércia do Conselho de Arbitragem da FPF face a estes factos, o ambiente está a aquecer cada vez mais entre os clubes, colocando em causa as tréguas que levaram à eleição do novo presidente da Liga de Clubes.

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3 - Já era tempo de Vítor Pereira se pronunciar sobre a quantidade de erros gritantes de arbitragem a que temos assistido na presente temporada. E tal como jogadores, treinadores e até dirigentes são penalizados quando prevaricam e cometem erros, também era tempo de encontrar uma forma de "castigo" para os juízes que falham. Os erros de arbitragem vão sempre existir, mas há que incentivar melhores arbitragens e diminuir falhas que podem ser corrigidas pelos árbitros no capítulo técnico e disciplinar, aprendendo com os próprios erros.

4 - Na época anterior, aquela em Paulo Fonseca chegou a ter cinco pontos de avanço sobre os rivais com o FC Porto, bastaram cinco/seis jornadas iniciais para que o Benfica viesse a terreiro mostrar a indignação com as arbitragens que, no seu entender, lesaram gravemente o clube. Aí o Conselho de Arbitragem da FPF foi lesto em reagir. Este ano, acontece o contrário. Benfica em silêncio (candeia que vai à frente, alumia duas vezes) e Vítor Pereira também. Mais do que os três grandes, que são sempre os mais beneficiados pela arbitragem, os outros clubes mereciam uma explicação sobre os casos nos jogos em que estiveram envolvidos. A pedagogia, se bem intencionada, bem que pode ser uma prática positiva para podermos compreender o que levou determinado árbitro a uma certa decisão. Porque não acontece? Ou melhor, porque não querem fazer isso?

5 - O último Sp. Braga-FC Porto foi o mais recente episódio de uma arbitragem desastrada. Cada um terá a sua análise sobre os lances e até opiniões contrárias sobre os mesmos, mas é consensual que a arbitragem estragou um jogo que tinha tudo para ser excelente, entre duas das melhores equipas do nosso campeonato. O nível do futebol português já é baixo e quando há bons jogos não podem ser os árbitros a destruir o espetáculo. Não é isto que cria valor, que traz pessoas aos estádios e atrai investidores para esta indústria à beira da falência.

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Nota - Helton foi um gigante em Braga. A personificação de raça, querer e espírito de sacrifício que se contagiou por 8 companheiros que deram 200 por cento de dentes cerrados. Mística é isto, dar tudo. Um grande guarda-redes a mostrar que recuperou e vai lutar pela titularidade na baliza do FC Porto.

O CRAQUE

Bom ou mau negócio?

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Como já tinha referido antes, Bernardo Silva tinha lugar, de caras, no atual plantel do Benfica. Um jogador dotado de técnica, explosivo, que sabe construir e dar profundidade ao ataque, apresentando ainda uma notável veia goleadora. Quis o destino que o seu talento apenas fosse aproveitado durante 31 minutos na equipa principal do Benfica. Em função das boas exibições que tem produzido em França, foi agora vendido ao Monaco por 15,75 milhões de euros. O futuro dirá se foi um bom ou mau negócio.

A JOGADA

Memória curta

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Todas as votações têm carácter subjetivo e as escolhas acabam sempre por cair em favor da memória mais recente. Daí que a escolha das equipas do século da FPF seriam sempre discutíveis e legitimadas pela votação de uma maioria. A FPF não soube distinguir algumas referências que ajudaram, e muito, a trazer páginas de ouro aos seus 100 anos de história. A começar por FC Porto, Benfica e Sporting, clubes que fizeram a história do futebol português. Bastariam algumas menções honrosas e nomes como Pedroto, Pinto da Costa ou Borges Coutinho, entre muitos outros, não teriam caído no esquecimento.

A DÚVIDA

Curiosidades e coincidências

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João Capela será o homem do apito no Marítimo-FC Porto. E Bruno Paixão estará no Paços de Ferreira-Benfica. Escolhas muito curiosas. Isto porque nos últimos cinco jogos dos dragões apitados por João Capela, o FC Porto venceu apenas um. Já o Benfica, em 11 jogos ajuizados por Capela nunca sofreu golos. Quanto a Bruno Paixão, e no que respeita a equipas grandes, há mais de dois anos que só apita jogos do Benfica. Mera estatística, coincidência ou há algo que o impede de estar em jogos do FC Porto e do Sporting?

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